Candidato a vice na chapa de João Campos (PSB), o advogado Carlos Costa integrou o quadro da RI Consulting no período em que a firma faturou cerca de R$ 630 mil com a Temape (Terminais Marítimos de Pernambuco), no Porto de Suape. As notas vão de fevereiro de 2025 a julho de 2026. Cerca de R$ 490 mil saíram enquanto o irmão dele, Silvio Costa Filho (Republicanos), ainda ocupava o Ministério de Portos e Aeroportos. Sócios da consultoria, à época, incluíam o próprio Carlos e o pai, o ex-deputado Silvio Costa.

O material, com origem no UOL, descreve os serviços como “relações governamentais”, sem detalhar demandas ou entregas, segundo levantamento reproduzido pelo Blog do Ricardo Antunes. Só no recorte de fevereiro de 2025 a março de 2026 a Temape recebeu 14 notas de R$ 35 mil. A mesma empresa também aparece com faturamento à Copersucar: cerca de R$ 180 mil no período em que Costa Filho estava na pasta, de um total de R$ 330 mil entre outubro de 2025 e agosto de 2026.

Quem opera no setor portuário responde à Antaq, agência vinculada ao ministério federal, ainda que com autonomia funcional. A Temape trabalha em Suape, de administração estadual; a Copersucar, no Porto de Santos, de gestão federal. Em março, a agenda do então ministro registrou encontro com o diretor-executivo da Copersucar para tratar de logística portuária e exportação de açúcar.

Carlos Costa deixou a sociedade da RI Consulting em 23 de março de 2026 e transferiu as quotas ao pai, movimento anterior à formalização da candidatura a vice. A costura da chapa passou pelo irmão, que chegou a se projetar para o Senado e agora disputa a reeleição a deputado federal.

O ex-ministro Silvio Costa Filho enviou nota em que nega irregularidades e classifica a denúncia como “mais uma ação eleitoreira”.