Neste domingo, 30 de agosto, internautas começaram a registrar, em vários pontos do Recife Antigo, uma série de cartazes colados em muros e paredes. O material mistura imagens com manipulação digital, discurso de ódio e acusações graves contra a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD). Relatos e fotos circulam nas redes sociais e em grupos de WhatsApp.

Um dos cartazes mais repetidos mostra Raquel ao lado de Flávio Bolsonaro, em pose de chapa, com o slogan “Chapa anti-Lula”. A composição tenta associar a governadora ao bolsonarismo, forçando um contraste com a posição de neutralidade que ela tem sustentado na disputa presidencial. Raquel tem reiterado parceria com o governo federal e gratidão ao presidente Lula em discursos recentes, sem endosso a Flávio. Peças semelhantes, também com montagens, já haviam aparecido no Centro do Recife nas semanas anteriores e foram objeto de decisão do TRE-PE, que determinou a retirada de publicações digitais que usavam imagem sintética da governadora ao lado do senador.

Outro cartaz vai além da associação política e ataca a vida pessoal da candidata. Sobre uma foto da governadora, o texto em letras grandes diz: “Ela matou o marido para ganhar a eleição”. Fernando Lucena, empresário de 44 anos e marido de Raquel, faleceu em 2 de outubro de 2022, em Caruaru, de mal súbito, no mesmo dia do primeiro turno daquela eleição. Ele estava em casa, foi atendido pelo Samu e não resistiu. O casal tinha dois filhos. Não há registro de investigação criminal sobre a morte. A governadora já falou publicamente, inclusive emocionada em entrevistas recentes, sobre o luto e o apoio que recebeu da população. O cartaz tenta transformar uma tragédia familiar de quatro anos atrás em arma eleitoral.

Ao lado desses materiais, outro cartaz usa o título “Matadoras de maridos” e reúne Elize Matsunaga, Flordelis e Raquel Lyra — esta última no centro, em pose de braços cruzados. O visual evoca cartaz de filme. As peças não trazem fonte, identificação de campanha ou responsabilidade e ocupam diversas paredes do Recife Antigo.

O recorte surge no mesmo período em que João Campos (PSB) acusa o Palácio do Campo das Princesas de comandar “gabinete do ódio” e milícia digital.