Após quatro anos sem respostas, o incêndio que destruiu as palafitas na Bacia do Pina, no Recife, continua sem explicações oficiais sobre sua causa ou possíveis responsabilidades. Quase 200 famílias foram afetadas.

Tudo começou na tarde de sexta-feira, 6 de maio de 2022. Um incêndio de grandes proporções atingiu a comunidade Entre Pontes (Beco do Sururu). No dias seguintes, a Prefeitura do Recife, gestão João Campos, já iniciava a limpeza e remoção dos escombros do terreno. Reportagens da época, como a do G1 publicada em 8 de maio, registraram que o local já havia sido limpo sem que a perícia da Polícia Científica tivesse sido realizada. Até dois dias após o incêndio, não houve exame técnico no terreno.

O inquérito policial foi aberto, mas enviado ao Ministério Público em agosto de 2023 e permanece sem conclusão conhecida até hoje.

O que mais chama atenção é o timing do empreendimento imobiliário. Dois meses antes do incêndio, em março de 2022, a construtora Moura Dubeux já anunciava o Edifício Líbano e distribuía material publicitário com imagens e panfletos que mostravam exatamente a praça que seria construída no local, sem qualquer sinal das palafitas.

Três anos depois, em 2025, a mesma área foi totalmente transformada na Praça do Líbano, inaugurada pelo então prefeito João Campos, em parceria com a Moura Dubeux (como contrapartida do empreendimento). O próprio prefeito publicou um “antes e depois” nas redes sociais celebrando a nova área.

Esta reportagem incorpora elementos da apuração realizada pelo portal Marco Zero.