A governadora Raquel Lyra (PSD) protocolou nesta sexta-feira (28) uma interpelação judicial criminal contra João Campos (PSB). O pedido, com base no artigo 144 do Código Penal, exige que o adversário diga a quem se referia ao falar em “milícia digital” comandada por “quem senta na cadeira para governar Pernambuco”.

Não é queixa-crime ainda. A peça busca, primeiro, delimitar o alcance das falas feitas em vídeo — quem seria o alvo, com quais fatos. A defesa da governadora sustenta que a crítica política virou atribuição de liderança de organização clandestina à administração estadual, sem nominar responsáveis nem apresentar provas.

O que a peça pede

No documento, os advogados escrevem que o candidato “não fez uma crítica política, mas atribuiu à administração do governo estadual a liderança de uma organização clandestina dedicada à prática de atos ilícitos”. E acrescentam: quem lança acusação desse porte “tem o dever de nominar a pessoa a quem acusa e se responsabilizar pelos seus atos”.

A interpelação chega no mesmo dia em que a Frente Popular anuncia AIJE no TRE-PE e denúncias a órgãos de controle, após a reportagem da Record TV sobre perfis e publicidade institucional. Raquel exonera o servidor citado, diz que os contratos de comunicação seguem critérios técnicos e mantém, sob sigilo no TRE-PE, ação contra mais de 500 perfis que, segundo a campanha, atacam sua honra.

A assessoria de João Campos disse ao Jamildo.com que, por enquanto, não comentará a interpelação. O Bastidor acompanha o que a Justiça Eleitoral e a Justiça comum fizerem com as peças dos dois lados.