Nos últimos dias, moradores de várias comunidades do Recife e da Região Metropolitana vêm protestando nas ruas, fechando avenidas e cobrando o pagamento do Auxílio Pernambuco, o benefício estadual de R$ 2.500 criado para famílias atingidas pelas fortes chuvas de maio. Muitos relatam que, apesar de terem sido cadastrados, não receberam o recurso, enquanto outros viram apenas parte da comunidade contemplada. O governo estadual afirma ter pago exatamente as 3.500 famílias previstas em lei, mas as manifestações revelam uma frustração crescente.
A origem do problema remonta aos primeiros dias após a tragédia e envolve decisões da Prefeitura do Recife que podem ter comprometido a leitura correta da real dimensão dos danos.
A cronologia dos fatos
- 1º de maio de 2026: Ocorrência das principais chuvas que deixaram dezenas de bairros alagados e milhares de famílias desabrigadas ou desalojadas em Pernambuco.
- 4 de maio de 2026: Moradores denunciam o fechamento de abrigos humanitários mantidos pela Prefeitura do Recife e o retorno forçado de famílias para áreas ainda afetadas.Segundo os denúncias, não houve vistoria técnica nas residências, que ainda apresentavam lama, umidade e riscos estruturais.
- Dias seguintes (5 e 6 de maio): O Governo do Estado anuncia a intenção de criar um auxílio financeiro para desabrigados.
- Até 14 de maio de 2026: Os municípios, incluindo o Recife, encaminham ao Governo do Estado informações sobre desabrigados, desalojados e áreas afetadas. Com base nesses dados, a lei estadual é sancionada considerando um universo aproximado de 3.500 famílias em todo o estado.
- 27 de maio: Decreto regulamentando o Auxílio Pernambuco.
- 2 de junho de 2026 (32 dias após as chuvas e 19 dias após a sanção da lei): A Prefeitura do Recife inicia, enfim, o levantamento das famílias efetivamente atingidas, com visitas domiciliares e comprovação de danos.
- 11 de junho de 2026 (41 dias após as chuvas e 28 dias após a sanção da lei): A Prefeitura envia ao Governo do Estado a relação com 9.037 famílias — quase três vezes o teto previsto para todo o estado.
O impacto das decisões iniciais da Prefeitura
A ação da Prefeitura do Recife de fechar abrigos e orientar o retorno de famílias já em 4 de maio, sem as vistorias técnicas recomendadas, pode ter gerado uma subestimação significativa dos números preliminares enviados ao Governo do Estado. Com menos famílias registradas oficialmente como desabrigadas ou desalojadas nos primeiros dias, a lei foi dimensionada para um universo menor (3.500 famílias no total).




