Um levantamento sobre qualidade de vida na capital pernambucana revela um cenário de avaliação distante de entusiasmo por parte da população. Os dados fazem parte da pesquisa “Viver nas Cidades: Qualidade de Vida”, associada ao Instituto Cidades Sustentáveis e executada pelo Ipec, cujos resultados foram divulgados recentemente e repercutidos pelo Jornal do Commercio em março de 2026.

Embora divulgados apenas em 2026, os dados têm como base entrevistas realizadas entre os dias 2 e 27 de dezembro de 2024, o que indica que os números refletem a percepção da população naquele período específico. Ainda assim, o levantamento só ganhou repercussão recente, em publicações que optaram por destacar recortes temáticos — como mobilidade urbana — em vez da avaliação direta da gestão municipal.

De acordo com o estudo, 47% dos entrevistados classificam a administração municipal como ótima ou boa. Outros 34% avaliam como regular, enquanto 17% consideram a gestão ruim ou péssima. A partir desse conjunto, mais da metade da população (51%) não atribui avaliação positiva à condução da cidade.

Os dados apontam para um cenário de baixa aprovação consolidada, com predominância de avaliações mornas ou negativas e ausência de maioria clara de apoio à gestão municipal.

Apesar disso, esse recorte específico — que trata diretamente da percepção sobre a administração — não foi o foco central das matérias que divulgaram o levantamento, que priorizaram temas como transporte público e serviços urbanos.

Êxodo urbano e percepção sobre a cidade

Um dos dados mais expressivos do levantamento diz respeito ao desejo de deixar o Recife. Segundo a pesquisa, 67% dos moradores afirmaram que sairiam da cidade se tivessem oportunidade.

O indicador aparece associado à percepção de evolução da capital. Para 37% dos entrevistados, a cidade permaneceu igual no período analisado, enquanto 19% avaliam que houve piora. Apenas 43% percebem melhora.

Na prática, os dados indicam que a maioria dos moradores não identifica avanço na cidade, configurando um cenário de percepção limitada de progresso urbano.

Origem e metodologia dos dados

Os dados fazem parte do estudo “Viver nas Cidades: Qualidade de Vida”, vinculado ao Instituto Cidades Sustentáveis e realizado pelo Ipsos-Ipec.

A pesquisa foi conduzida com 300 entrevistas no Recife, com margem de erro de seis pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A coleta foi feita de forma online, com moradores a partir de 16 anos.

O levantamento integra uma pesquisa mais ampla aplicada em diversas capitais brasileiras, com amostra total de milhares de entrevistados e uso de ponderação estatística para garantir representatividade.

Outro ponto relevante é o contexto de atualização dos dados. Há uma edição mais recente do mesmo levantamento, realizada em dezembro de 2025, na qual o percentual de moradores que afirmam que deixariam a cidade aparece em 63%, indicando variação em relação ao resultado anterior.