Imprensa “esconde” baixa aprovação de João Campos no Recife
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Um levantamento sobre qualidade de vida na capital pernambucana revela um cenário de avaliação distante de entusiasmo por parte da população. Os dados fazem parte da pesquisa “Viver nas Cidades: Qualidade de Vida”, associada ao Instituto Cidades Sustentáveis e executada pelo Ipec, cujos resultados foram divulgados recentemente e repercutidos pelo Jornal do Commercio em março de 2026.
Embora divulgados apenas em 2026, os dados têm como base entrevistas realizadas entre os dias 2 e 27 de dezembro de 2024, o que indica que os números refletem a percepção da população naquele período específico. Ainda assim, o levantamento só ganhou repercussão recente, em publicações que optaram por destacar recortes temáticos — como mobilidade urbana — em vez da avaliação direta da gestão municipal.
De acordo com o estudo, 47% dos entrevistados classificam a administração municipal como ótima ou boa. Outros 34% avaliam como regular, enquanto 17% consideram a gestão ruim ou péssima. A partir desse conjunto, mais da metade da população (51%) não atribui avaliação positiva à condução da cidade.
Os dados apontam para um cenário de baixa aprovação consolidada, com predominância de avaliações mornas ou negativas e ausência de maioria clara de apoio à gestão municipal.
Apesar disso, esse recorte específico — que trata diretamente da percepção sobre a administração — não foi o foco central das matérias que divulgaram o levantamento, que priorizaram temas como transporte público e serviços urbanos.
Êxodo urbano e percepção sobre a cidade
Um dos dados mais expressivos do levantamento diz respeito ao desejo de deixar o Recife. Segundo a pesquisa, 67% dos moradores afirmaram que sairiam da cidade se tivessem oportunidade.
O indicador aparece associado à percepção de evolução da capital. Para 37% dos entrevistados, a cidade permaneceu igual no período analisado, enquanto 19% avaliam que houve piora. Apenas 43% percebem melhora.
Na prática, os dados indicam que a maioria dos moradores não identifica avanço na cidade, configurando um cenário de percepção limitada de progresso urbano.
Origem e metodologia dos dados
Os dados fazem parte do estudo “Viver nas Cidades: Qualidade de Vida”, vinculado ao Instituto Cidades Sustentáveis e realizado pelo Ipsos-Ipec.
A pesquisa foi conduzida com 300 entrevistas no Recife, com margem de erro de seis pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A coleta foi feita de forma online, com moradores a partir de 16 anos.
O levantamento integra uma pesquisa mais ampla aplicada em diversas capitais brasileiras, com amostra total de milhares de entrevistados e uso de ponderação estatística para garantir representatividade.
Outro ponto relevante é o contexto de atualização dos dados. Há uma edição mais recente do mesmo levantamento, realizada em dezembro de 2025, na qual o percentual de moradores que afirmam que deixariam a cidade aparece em 63%, indicando variação em relação ao resultado anterior.
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