A campanha de Romero Albuquerque (PSB) montou uma estrutura com mais de 500 pessoas para inflar artificialmente o engajamento nas redes sociais do candidato e de sua esposa. A operação funcionava por meio de vários grupos de WhatsApp, com tarefas diárias, mensagens padronizadas e obrigatoriedade de enviar print como comprovação. Parte desses trabalhadores, segundo relatos obtidos pela reportagem, ainda não recebeu o pagamento combinado após o fim da campanha.

Documentos e mensagens a que o Bastidor teve acesso mostram o funcionamento da força-tarefa. Em um dos grupos, uma “atividade” do dia 27 de maio determinava que os integrantes curtissem, comentassem, compartilhassem e repostassem um reel específico no Instagram. A orientação era clara: seguir e marcar os perfis oficiais (@romeroalbuquerque44, @andrezaromero, @luisromero40_ e @romeroalbuquerque40000) e enviar o print da ação em até 24 horas. Havia ainda uma regra: prints só seriam aceitos depois de seis horas da publicação.

Junto com a ordem de serviço vinha uma lista com 20 sugestões de comentários prontos, todos elogiando o trabalho do candidato na causa animal. Frases como “Trabalho lindo demais”, “Deus abençoe” e “O mundo precisa de mais pessoas assim” deveriam ser usadas para dar aparência de engajamento espontâneo.

Dois prints lado a lado de mensagem encaminhada com orientações de interação e sugestões de comentários.
Mensagem encaminhada orienta curtidas, comentários e compartilhamentos.

A estrutura não se limitava a um único grupo. Segundo as informações exclusivas, existiam vários núcleos de WhatsApp com a mesma dinâmica: meta diária de interações, mensagens padronizadas e cobrança de comprovante. O volume estimado pela reportagem supera 500 pessoas contratadas exclusivamente para essa função de autoelogio nas redes.

Um grupo de cerca de 30 pessoas que atuou nas atividades, incluindo jornadas longas de 10 a 14 horas e, em alguns casos, trabalho de madrugada na reta final, afirma não ter recebido o combinado mais de um mês após o encerramento do pleito. Romero Albuquerque ficou como suplente com 27.846 votos. Vários integrantes já registraram Boletim de Ocorrência na Polícia Civil de Pernambuco e contam com acompanhamento de advogada. As promessas de pagamento, segundo os relatos, são reiteradamente descumpridas.