Cansado, blogueiro perde nos argumentos e recorre à falácia clássica
Reprodução / Blog do Magno
Chamar adversário político de “nazifascista” é sempre um sinal inequívoco de grande sofisticação analítica ou, convenhamos, de que o repertório argumentativo infelizmente ficou pelo caminho no meio do texto.
Com esse expediente tão fino para comentar a disputa política em Pernambuco, a coluna de Magno Martins publicada neste 11 de setembro consegue um dos efeitos mais hilariantes que uma discussão pode gerar: sem ideias novas, o autor acaba caindo, ao mesmo tempo, em duas das armadilhas mais manjadas e previsíveis da comunicação e da lógica argumentativa.
A primeira é a célebre Lei de Godwin, formulada no início dos anos 1990 pelo jurista norte-americano Mike Godwin. O conceito é simples: quanto mais uma discussão se arrasta ou perde o rumo, mais perto de 100% chega a chance de alguém, exausto de argumentos, sacar a carta do nazismo ou do Hitler.
É o equivalente textual de jogar a toalha, mas querendo dar a entender que está apenas começando a lutar. Funciona como um termômetro infalível de falência de um debate.
A segunda pérola é a falácia lógica batizada de Argumentum ad Hitlerum, ou Reductio ad Hitlerum, cunhada pelo filósofo Leo Strauss. O latim foi gasto, mas descreve um truque bem barato: desacreditar alguém não pelo mérito do que fez, mas por uma associação arbitrária e emocionalmente explosiva com o regime nazista.
Por que perder tempo debatendo acusações jornalísticas, indícios ou apurações policiais no terreno chato e trabalhoso do republicanismo e do direito, se dá para simplesmente convocar o espantalho do horror totalitário e economizar todo esse esforço de pensar?
Denúncias como uso da máquina pública, espionagem, manipulação em redes sociais de fato merecem atenção.
Só fica meio ridículo banalizar o sofrimento histórico de milhões de vítimas do nazismo para apimentar essa novela da política pernambucana, tão brejeira.
É engraçado porque, vamos lá, em plena sexta, um texto como o mencionado acaba sendo, no fundo, um sinal de que ali faltou um pouco de crítica racional e vigor de raciocínio.
Logo, a saída encontrada foi gritar uma palavra feia. Quando é preciso chamar o adversário de nazista para provar um ponto, já não há mais ponto algum a provar, só o eco do próprio exagero.
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