Eduardo da Fonte evita nacionalizar a disputa pelo Senado
Eduardo da Fonte. Foto: Divulgação.
Eduardo da Fonte (PP) trata o Senado em Pernambuco como disputa afastada da polarização nacional. Na sabatina do Grupo Asa Branca e da ACIC em Caruaru, o candidato da chapa de Raquel Lyra reforçou o discurso de equilíbrio e disse que se dá bem com Lula e com Bolsonaro, de quem foi colega de partido.
A postura espelha o roteiro da governadora. Raquel também busca distância da briga Brasília a Brasília e joga o placar estadual no centro. No PP e na federação União Progressista, a neutralidade no plano nacional já era a linha oficial. Da Fonte preserva canais com os dois campos e vende a si mesmo como senador capaz de dialogar com qualquer presidente eleito em 4 de outubro, em nome de investimentos para Pernambuco.
Mendonça Filho (PL) amarra o Senado a Flávio Bolsonaro e deixa o lado na disputa presidencial à mostra. Na sabatina da Cultura, do Diario de Pernambuco e da TV Nova, o ex-ministro cobrou de Eduardo uma declaração explícita de voto. Eduardo respondeu que vota em Pernambuco e que está ao lado de Raquel. Sob pressão, repetiu que vota pela saúde do povo pernambucano.
O tabuleiro explica a escolha. Eduardo e Mendonça disputam fatias parecidas do eleitorado. Nacionalizar a campanha do pepepista racharia a própria base, que mistura ala bolsonarista e quadros mais próximos de Lula. Manter o Senado como eleição à parte protege a unidade partidária e tenta capturar o eleitor que acompanha Raquel no placar sem engolir a nacionalização do PL.
Na mesma sabatina da ACIC, Eduardo direcionou alfinetadas a Mendonça sem citar o nome. Perguntou quem criticou Bolsonaro na demissão de Luiz Henrique Mandetta e quem esteve ao lado do PSB em 2014. Túlio Gadêlha (PSD) faltou ao encontro. Disse que chegou tarde de compromisso de campanha e não acordou a tempo.
Raquel, em Caruaru, jogou em casa. Lembrou problemas da cidade que já governou e se apresentou como prefeita-governadora. O Agreste vira vitrine da chapa. Eduardo usa o mesmo território para vender pragmatismo. O risco é o eleitor cobrar lado na reta final, exatamente o que Mendonça já cobra no microfone.
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