A ministra Estela Aranha, do TSE, rejeitou a ação de Flávio Bolsonaro (PL) contra um vídeo da campanha de Lula (PT) que o chama de “mentiroso Master”, em referência ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para a relatora, a peça está no campo da crítica político-eleitoral e não ficou demonstrada a divulgação de fatos manifestamente falsos ou descontextualizados.

O vídeo foi publicado em 26 de setembro no perfil @brasilcomlula, no Instagram, em formato colaborativo. Reúne trechos de entrevistas do senador e sustenta que ele mentiu ao negar que conhecia Vorcaro, que tinha recebido dinheiro dele e que viajara em seu jato particular. No fim, afirma que Flávio contou “pelo menos 43 mentiras” na campanha. A ação mirava Lula, a coligação Brasil Pronto Pra Mais, Gleisi Hoffmann e Marcelo Freixo.

Flávio alegou que as falas foram tiradas de contexto e que a expressão extrapolava os limites da crítica. A ministra respondeu que as menções a Vorcaro aparecem acompanhadas das reportagens usadas como fonte e que as “43 mentiras” reproduzem o título de um levantamento de agência de checagem identificada na própria publicação. Sobre o termo “mentiroso Master”, reconheceu uma formulação “contundente e depreciativa”, mas a tratou como juízo de valor admissível na disputa. “Não se identifica, portanto, afirmação categórica de fato falso, mas juízo crítico inserido no embate político-eleitoral”, escreveu. A Procuradoria-Geral Eleitoral também havia opinado contra a ação.

O desfecho é diferente do caso de 10 de outubro, quando o presidente do TSE, Nunes Marques, suspendeu propaganda de Lula no horário eleitoral que ligava Flávio ao caso Master por falta de lastro mínimo. Nesta semana, a própria Estela Aranha barrou uma peça de Flávio que associava fala de Lula a abuso infantil. O segundo turno é no domingo (25).

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Estadão Conteúdo