A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, proibiu a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) de voltar a veicular uma propaganda que associa uma fala do presidente Lula (PT) a supostos abusos envolvendo crianças. A liminar atende representação da coligação Brasil Pronto Pra Mais e vale também para o horário gratuito do segundo turno.

A peça, exibida em 1º de outubro no encerramento do horário do primeiro turno, recortou trecho de discurso de Lula em Belém (PA), em 28 de setembro, com as chamadas “Ouça o absurdo que Lula falou” e “As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”. Mulheres reagem no vídeo com frases como “Isso é um abuso, né?” e “Ele é a favor de quê? Uma criança tomar toque desde pequena?”.

Na avaliação da ministra, a campanha suprimiu o contexto de prevenção ao câncer de próstata e da primeira cirurgia robótica pelo SUS no Norte, deslocando a fala para o campo sexual. Estela registrou que a desinformação eleitoral também ocorre quando um trecho verdadeiro é editado de modo a produzir interpretação enganosa. A decisão é liminar até o julgamento definitivo.

A medida entra na sequência de decisões do TSE na reta final. Nesta semana, o ministro André Mendonça já havia suspendido propaganda de Lula que ligava Flávio a milícias.