Uma fonte ligada à campanha de Lula revelou ao Bastidor que João Campos (PSB) recebeu, no início da semana, em Brasília, a orientação para reduzir sua exposição pública no segundo turno em Pernambuco. O pedido teria sido feito durante a reunião da coordenação nacional, da qual o socialista participou a convite do presidente.
Segundo a fonte, pesquisas analisadas pela campanha indicariam que a presença ostensiva de João dificulta a aproximação com eleitores de Raquel Lyra (PSD), reeleita no primeiro turno após derrotar o ex-prefeito.
A avaliação atribuída à coordenação petista é que parte do eleitorado de Raquel rejeita o PSB, mas não necessariamente Lula. A exposição de João poderia reforçar essa rejeição e favorecer a transferência de votos para Flávio Bolsonaro (PL).
A estratégia seria, portanto, diminuir a associação entre Lula e o grupo político derrotado em Pernambuco, permitindo que o presidente dialogue com eleitores que apoiaram Raquel sem exigir uma aproximação com João Campos.
A revelação também ajuda a explicar o desaparecimento do socialista das mobilizações públicas em Pernambuco, já observado pelo Bastidor. Na segunda-feira, João desembarcou em Brasília, gravou vídeo reafirmando o apoio a Lula e prometeu ir às ruas. Desde então, sua participação pública na campanha estadual perdeu visibilidade.
Nos bastidores, porém, a orientação relatada pela fonte seria justamente a contrária para Pernambuco. João continuaria colaborando com a campanha nacional, mas sem protagonizar a mobilização no estado.
O que parecia ausência de João Campos pode ser, na realidade, uma decisão calculada da própria campanha de Lula.