Após uma semana longe de Pernambuco e das articulações do segundo turno no estado, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) reapareceu na segunda-feira (12) no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, ao lado da esposa, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

João está em São Paulo acompanhando a recuperação da mãe de Tabata, que sofreu um acidente doméstico com traumatismo craniano no dia da votação do primeiro turno, passou por cirurgia de emergência e ficou internada em UTI. A própria deputada, reeleita em São Paulo, chegou a explicar nas redes a ausência em atos de rua por “motivos pessoais”, sem deixar de defender a reeleição de Lula.

No dia 5 de outubro, um dia após a derrota para Raquel Lyra (PSD) no governo, Campos gravou um vídeo no aeroporto de Brasília dizendo que ia à reunião convocada por Lula sobre o segundo turno. Depois disso, sumiu das agendas públicas em Pernambuco. Na articulação dos partidos aliados no estado, o PSB foi representado pelo presidente estadual Sileno Guedes, deputado e operador histórico da legenda.

A ausência gerou especulações nos bastidores. Uma leitura corrente é que setores da direção nacional do PT preferiam o distanciamento do ex-prefeito para não afastar eleitores que votaram em Raquel e ainda estão indefinidos no segundo turno. O PT também chegou a cotar o engajamento da própria governadora, que reafirmou neutralidade.

Carlos Veras, deputado federal e coordenador da campanha de Lula em Pernambuco, tratou o episódio como questão familiar e nacional. Segundo ele, João foi chamado para ajudar na coordenação nacional, como presidente do PSB, e “está chamando os prefeitos, vereadores e todo o time do PSB” enquanto o estado “tem condições de dar conta” localmente.

Fontes ligadas ao PT nacional indicam que Campos deve começar ainda esta semana a participar formalmente da coordenação da campanha a convite do presidente da sigla, Edinho Silva. Em Pernambuco, Lula teve 63,45% dos votos no primeiro turno contra 31,03% de Flávio Bolsonaro (PL). O desafio do campo progressista agora é reduzir a abstenção e ampliar a votação até 25 de outubro.