O Ministério Público Federal em Pernambuco instaurou um procedimento para acompanhar e fiscalizar as políticas públicas de prevenção de ataques de tubarão no litoral do estado. A medida foi formalizada pela Portaria 193, assinada pela procuradora da República Mona Lisa Duarte Abdo Aziz Ismail, que abriu um Procedimento de Acompanhamento.

A decisão foi motivada por dois ataques graves registrados neste ano na Região Metropolitana do Recife. Em 31 de maio, uma criança de 11 anos teve um membro amputado após ser atacada na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. No dia seguinte, uma jovem de 19 anos também sofreu amputação depois de um ataque na praia de Boa Viagem, no Recife.

O foco do acompanhamento é a execução do projeto Ecotuba, de monitoramento e prevenção de incidentes com tubarões, coordenado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco com financiamento da Facepe e cooperação da Secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação. As ações também passam pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões, ligado à Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha.

O MPF enviou o documento à 4ª Câmara de Coordenação e Revisão, em Brasília, e vai acompanhar de forma contínua as respostas das autoridades e o andamento das pesquisas científicas. A procuradora fundamentou a medida no dever constitucional de zelar pelo meio ambiente equilibrado e pela segurança coletiva.

Em março de 2025, a mesma procuradora arquivou um inquérito que investigava a relação entre o Complexo de Suape e os ataques. O laudo pericial reconheceu degradação ambiental severa na área do porto, mas concluiu que não havia comprovação científica de que ela fosse a causa direta dos incidentes na Região Metropolitana, situada vários quilômetros ao norte.