Uma história que assustou São Paulo há mais de 30 anos voltou a circular nas páginas de bairro da Região Metropolitana do Recife. Perfis locais passaram a divulgar imagens de palhaços assustadores, supostamente vistos durante a noite em ruas e praças. As publicações, algumas feitas com inteligência artificial, acumularam milhares de interações.
O boato ganhou espaço em páginas como Jaboatão Ordinário, Guararapes Ordinário e Recife Bipolar. Em uma das imagens, um palhaço aparece sentado na Praça do Córrego da Batalha, em Jaboatão dos Guararapes. Em outra, surge numa rua escura do Recife.


A repercussão levou as forças de segurança a se manifestarem. Segundo reportagem da TV Jornal, as polícias Civil e Militar de Pernambuco informaram que não existem registros oficiais de ocorrências envolvendo homens fantasiados de palhaços que estariam oferecendo bombons para atrair crianças.
A história não é nova. Em 1995, o jornal paulista Notícias Populares, conhecido pelo sensacionalismo, deu ampla repercussão à chamada “gangue do palhaço”. Segundo a lenda urbana, criminosos fantasiados circulavam numa Kombi, sequestravam crianças e retiravam seus órgãos para comercialização.


Embora o próprio jornal tenha informado que não havia comprovação da existência da quadrilha, a cobertura ajudou a espalhar o medo. O boato mobilizou a polícia, assustou famílias e prejudicou profissionais que trabalhavam como palhaços.
Três décadas depois, a narrativa encontrou nas redes sociais um ambiente ainda mais favorável. A inteligência artificial permite produzir imagens aparentemente reais em segundos, enquanto páginas de bairro oferecem a credibilidade de quem supostamente conhece a rotina da comunidade.
Estes perfis, que se apresentam como fontes de informação local, também podem funcionar como multiplicadores de desinformação.
Entre o humor, o sensacionalismo e a busca por engajamento, o medo continua rendendo audiência.
Se nos anos 1990 a gangue dos palhaços vendia jornais, em 2026 ela rende curtidas, comentários e compartilhamentos.