O vereador do Recife e deputado federal eleito Thiago Medina (PL) acionou a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral Eleitoral contra o físico Sergio Machado Rezende, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e ex-ministro da Ciência e Tecnologia de Lula (PT). O pedido, que veio a público nesta sexta-feira (16), aponta suspeita de compra de votos depois que o docente se ofereceu para custear a viagem de estudantes que precisam se deslocar para votar no segundo turno, no próximo dia 25.
A oferta foi feita na segunda-feira (12), em mensagem enviada pelo e-mail institucional a listas de professores, servidores e alunos do Departamento de Física. Antes da proposta, Rezende criticou o adversário do petista. “Faço isto porque estou convencido que se Flávio for eleito, além das medidas terríveis que ele está propondo, inclusive na educação, teríamos ameaçadas a própria Democracia e a Soberania do País”, escreveu. Em seguida, citou docentes da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, que juntavam dinheiro para levar alunos ao interior. “Seguindo o exemplo de Viçosa, eu e alguns colegas estamos dispostos a pagar as despesas de viagem dos estudantes que terão despesas para votar no dia 25”, propôs, pedindo que os próprios estudantes fizessem o levantamento dos interessados. Outro professor respondeu na mesma lista que também contribuiria. O caso já tinha virado representação ao Ministério Público Federal na quarta-feira (14).
No ofício à Superintendência da PF em Pernambuco, Medina pede a abertura imediata de inquérito policial eleitoral para apurar possível corrupção eleitoral, fornecimento irregular de transporte a eleitores, arregimentação e falsidade ideológica eleitoral. Ele também quer a preservação dos registros eletrônicos da UFPE, a identificação de quem organizou as listas de estudantes, a origem dos recursos e a investigação de eventual ligação com estruturas de campanha. “Isso aqui é crime eleitoral e não pode acontecer. Ainda mais um professor universitário usando seu status para atingir os alunos para votar”, afirmou o parlamentar. “Não é só porque são professores de esquerda que nada atinge eles, não. Eles também estão sujeitos à lei.”
Até agora não há comprovação de que algum pagamento tenha sido feito nem de que votos tenham sido comprados. Caberá à PF e ao Ministério Público Eleitoral decidir se o caso vira investigação.
Rezende é um nome histórico da ciência pernambucana. Nascido no Rio de Janeiro em 1940, fez carreira como professor de física na UFPE e comandou o Ministério da Ciência e Tecnologia entre 2005 e 2010, nos dois primeiros mandatos de Lula.
Medina, de 23 anos, é um dos rostos da nova direita do Recife. Cientista da computação nascido em Belo Horizonte, ganhou projeção nas redes ao denunciar material de cunho partidário na Universidade Católica de Pernambuco e foi eleito vereador pelo PL em 2024, com 10.540 votos. Na Câmara do Recife, faz oposição à gestão do PSB e já protagonizou embates com o PT, como no episódio em que o senador Humberto Costa ganhou direito de resposta no Instagram do vereador. Em 4 de outubro, foi eleito deputado federal com 88.354 votos.
A ofensiva ocorre no momento em que o transporte de eleitores virou peça central da reta final em Pernambuco. Nesta sexta, aliados do presidente foram ao TRE-PE cobrar medidas contra a abstenção, com foco na zona rural e no transporte intermunicipal, e o tribunal já havia cobrado da EPTI a gratuidade no transporte intermunicipal no dia da votação. A direita, por sua vez, tem recorrido à polícia contra o que considera abusos do campo adversário, como fez nesta semana o deputado estadual eleito Gilson Filho (Podemos), que acionou a PF após posts que falavam em atentado ao Bloquinho 22.