Segundo o Observatório do Clima, em reportagem publicada em 6 de abril, o branqueamento de corais em Porto de Galinhas atingiu 84% das colônias. O dado refere-se especificamente ao município de Ipojuca e vem de monitoramento da APA Costa dos Corais. A mortalidade efetiva ou seja a perda de cobertura coralínea viva chegou a 28% em Porto de Galinhas, conforme estudo publicado na revista científica Coral Reefs em 2025 e repercutido pela USP.

Em Porto de Galinhas, o impacto climático nos corais foi agravado pelo boom imobiliário de novos resorts, condomínios de luxo e flats que aumentou drasticamente a demanda por saneamento. A Compesa executa obras de cerca de R$ 65 milhões para rede coletora e estação de tratamento em Merepe e Vila. Em janeiro de 2026 a execução estava em torno de 35%. Enquanto isso ligações clandestinas de esgoto de novos empreendimentos continuam despejando dejetos nas galerias pluviais que vão direto para o mar. Imagens recentes mostram rios de esgoto chegando às piscinas naturais.

Segundo especialistas, a poluição por nutrientes causa eutrofização. O excesso de nitrogênio e fósforo favorece o crescimento acelerado de algas que cobrem os corais, bloqueiam a luz e reduzem o oxigênio. Corais já enfraquecidos pelo calor ficam mais vulneráveis a doenças e a mortalidade aumenta.

A superlotação piora o quadro. Milhares de turistas invadem as piscinas naturais diariamente. Jangadas ancoram e raspam os recifes. O pisoteio quebra colônias. Protetores solares convencionais liberam substâncias químicas que são tóxicas para os corais e aceleram o branqueamento.

O poder público se escorou em uma startup

Em vez de limites rígidos de visitantes ou restrições temporárias o poder público se apoia na Biofábrica de Corais. Essa iniciativa privada resgata fragmentos cultiva mudas e replanta com ajuda de turistas pagantes. Até 2026 recuperou cerca de 2.200 corais. O projeto é positivo e ganhou prêmios, mas tem escala pequena. Milhares de mudas não compensam a perda de 28% da cobertura coralínea em dezenas de quilômetros quadrados de recife. Ele funciona como boa imagem para a mídia enquanto o turismo predatório segue crescendo sem freio.

Para especialistas, o turismo predatório que vem degradando os recifes de Porto de Galinhas representa uma ameaça concreta aos bilhões de reais em investimentos públicos e privados no destino. Recifes de corais geram geram até R$ 167 bilhões ao Brasil em economia ao atuar na proteção costeira e na promoção do turismo.

Corrupção Ambiental

O Ministério Público de Pernambuco investiga um suposto esquema de venda e liberação irregular de licenças ambientais e urbanísticas para grandes empreendimentos de luxo em Porto de Galinhas durante a gestão da ex-prefeita Célia Sales. A principal ação é a Operação Habite-se, que apura um esquema criminoso no licenciamento de imóveis no município.

As investigações revelaram a liberação de obras de grande porte com assinatura de um professor de educação física. Várias obras avançaram sobre Áreas de Preservação Permanente, restingas e manguezais, ecossistemas essenciais para a proteção costeira e para a saúde dos recifes de coral. Entre os alvos estão a ex-prefeita Célia Sales, seu marido Romero Sales e outros agentes políticos e empresários