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“Pode cortar não”: o que Vorcaro disse sobre o contrato do vice de João

Redação Por Redação em 30/09/2026, 16h43

Mensagens da PF mostram o banqueiro do Master tratando a consultoria da família Costa como gasto a preservar. O vice jura que era só acompanhamento de projetos de lei.

Em fevereiro de 2025, o advogado de Daniel Vorcaro, Luiz Rennó, fez ao chefe uma pergunta de rotina: mantinha ou não o pagamento mensal de R$ 100 mil a Carlos Costa? A resposta, revelada pela Veja a partir de relatório da Polícia Federal, foi curta: “Pode cortar não”.

Rennó explicou por que a conta era defensável. Segundo as mensagens, Costa tinha contrato de R$ 100 mil por mês e acabara de vencer, e seu trabalho era acompanhar projetos de lei e legislação. Mas o advogado acrescentou uma dúvida. Perguntou se Vorcaro conhecia Costa e disse que, se não conhecesse, negociaria por R$ 10 mil, o que já seria “bem pago”. Ou seja, o preço do serviço caía a um décimo dependendo de o banqueiro saber ou não quem era o fornecedor.

O advogado ainda registrou outro dado: “aqui tem ligação com o ministro de Portos e Aeroportos”, Silvio Costa Filho, irmão de Carlos. Silvio Filho comandou a pasta de setembro de 2023 a março de 2026. Segundo a Veja, o relatório da PF trata Carlos como alguém estratégico para os interesses do banco. É uma definição generosa para quem, segundo a versão da família, fazia relatórios sobre a reforma tributária.

Essa versão vem de Silvio Costa, pai dos dois e sócio da RI Consulting. Ele diz que o trabalho era acompanhar a reforma tributária e projetos nos estados e municípios, e que nunca participou de reunião com Banco Central ou BRB. O UOL contou 20 notas de R$ 100 mil entre março de 2024 e outubro de 2025. Carlos tinha 90% da empresa e a administrava, até sair em março de 2026, meses antes de virar vice de João Campos.

Pode ser só uma consultoria cara, num banco que gostava de ser bem informado sobre o Congresso. Mas é difícil chamar de rotina um contrato que o dono do banco manda manter, e que o advogado diz que tem ligação com um ministro.

Para ser justo, nada disso mostra envolvimento de João Campos. Não há indício público de que ele tenha recebido dinheiro do Master ou tratado com Vorcaro. O candidato foi, no máximo, o destinatário de uma escolha de vice com um passado para explicar. E o eleitor tem até domingo para decidir se isso pesa.

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