Três homens foram executados na manhã de segunda-feira (2), feriado de Finados, na Matinha, no Monte dos Guararapes, em Jaboatão. Moradores relataram mais de vinte disparos por volta das 9h. Os corpos foram encontrados próximo a um campo de futebol, dentro do perímetro do Parque Histórico Nacional dos Guararapes, sítio tombado e sob guarda do Exército Brasileiro.

As vítimas foram identificadas como José Moisés Ferreira, Weydson Firmino da Silva, conhecido como Chegadinho, e um terceiro homem ainda não identificado completamente. Cápsulas calibre 9 mm foram recolhidas no local. A Polícia Militar e o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa isolaram a área, e a Polícia Civil e o Exército acompanharam a ocorrência.

O crime amplia a preocupação com a atuação de facções na região. O Comando Litoral Sul, antigo Trem Bala, apontado como ligado ao Comando Vermelho, mantém presença em Jaboatão, incluindo Prazeres e áreas próximas ao Monte. Investigações do Ministério Público e da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado apontam disputas territoriais, execuções e controle de pontos de tráfico pelo grupo.

A ligação com o Comando Vermelho insere a violência local em um cenário mais amplo de articulação entre organizações criminosas. A autoria e a motivação do triplo homicídio, porém, continuam sob investigação, sem atribuição oficial a uma facção.

A região acumula episódios de violência. Em dezembro de 2025, uma chacina em uma barbearia na Vila Sotave, em Prazeres, deixou quatro mortos e três feridos. Outros duplos e múltiplos homicídios foram registrados na região ao longo de 2025 e 2026.

O parque histórico tem cerca de 363 hectares, tombados e parcialmente desapropriados, e está sob responsabilidade do Exército, com atuação do Iphan na preservação do patrimônio. Há cercamento e controle de acesso nos trechos principais. Enquanto o núcleo histórico, que abriga a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, recebe proteção mais direta, moradores do entorno convivem com tiroteios, por vezes confundidos com exercícios militares, e a presença de grupos armados.

Mais de vinte disparos e três mortes em plena manhã, dentro desse perímetro, cobram explicações sobre a vigilância e a articulação das forças de segurança. O berço simbólico do Exército Brasileiro também está exposto à violência que avança sobre as comunidades da região.