Raquel Lyra lidera nos dois levantamentos. No Datafolha desta sexta-feira, 47% a 42% sobre João Campos. Na Quaest da terça, 43% a 37%. Ivan Moraes permanece no 1%. Os demais nomes somados não alteram a geometria da disputa.

Isso, no entanto, não responde sozinho à pergunta que interessa: a eleição termina no dia 4 ou vai a 25 de outubro?

Há uma distinção que o debate público insiste em misturar. Uma coisa é liderar a estimulada. Outra é ter mais da metade dos votos válidos. É nessa segunda conta que o primeiro turno se decide. E é nela que o quadro atual fica mais estreito do que a vantagem numérica sugere.

No recorte de válidos do Datafolha, Raquel aparece com 51% e João com 46%. Na Quaest, a conversão dos números publicados também coloca a governadora acima da linha dos 50%.

É possível ter segundo turno? Sim. Os dois institutos, lidos juntos, não fecham a porta. A liderança de Raquel é consistente. A vitória no primeiro turno, não. Há espaço estatístico para o pleito ir adiante, sobretudo se houver crescimento de João fora da margem de erro, o que ficou quase visível na passagem de 40% para 42% no Datafolha. É preciso se confirmar como tendência e não como oscilação.

Se a estabilidade se mantiver onde está, João sem acelerar, Ivan parado, branco e nulo sem explodir, a governadora segue com chance real de resolver a eleição no primeiro turno. Se a estabilidade quebrar a favor de João, a tese do segundo turno deixa de ser hipótese e vira leitura principal.

O que as próximas pesquisas precisarão mostrar não é quem lidera. É se a liderança atravessa a linha dos válidos com folga ou se a eleição vai ser decidida no segundo tempo.