A tentativa de enquadrar Manoel Medeiros acabou transformando o jornalista em um dos adversários mais incômodos de João Campos (PSB). Ex-assessor de Raquel Lyra, Medeiros foi acusado de integrar uma suposta “milícia digital” após uma denúncia anônima. Em maio, a Justiça trancou o inquérito da polícia legislativa da Alepe por estar fora de suas atribuições.
Longe de desaparecer do debate público, Manoel ampliou sua atuação e foi o responsável a colocar o escândalo do fura-fila no centro da discussão política.
O caso envolveu Lucas Vieira Silva, filho de um juiz, que ocupava a 63ª posição na ampla concorrência do concurso da Procuradoria Municipal. Após apresentar um laudo de autismo, foi reclassificado para o primeiro lugar da lista de pessoas com deficiência e nomeado em dezembro de 2025.
João Campos defendeu a legalidade do procedimento, mas posteriormente tornou a nomeação sem efeito e convocou Marko Venicio dos Santos Batista.
O episódio atingiu uma das principais marcas políticas de João Campos. A controvérsia ganhou repercussão justamente pelo grande sentimento de injustiça social e pela facilidade com que o eleitor conseguia compreender o questionamento sobre a ordem de classificação.
O Radar de Pesquisas do bastidor.pe registra a redução da vantagem ainda na pré-campanha. No Múltipla divulgado em 28 de novembro, João tinha 47% e Raquel, 27%. Em 12 de fevereiro, eram 42% e 29%. A distância caiu de 20 para 13 pontos.
Candidato a deputado estadual pelo Novo, Manoel Medeiros recebeu 5.145 votos e ficou como suplente em sua primeira eleição, o colocando como um dos nomes mais fortes para disputar a Câmara do Recife em 2028.
O caso do fura-fila ajudou, e muito, a desgastar a imagem do então favorito ao Governo de Pernambuco. O jornalista que tentaram enquadrar terminou a eleição associado a uma das maiores dores de cabeça de João Campos.