A eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Pernambuco, no início de 2027, será o primeiro grande teste político do segundo mandato de Raquel Lyra. Mais do que escolher o presidente da Casa, a disputa mostrará se o governo aprendeu com os quatro anos de atritos com o Legislativo.

Em 2023, Álvaro Porto foi eleito presidente da Alepe por unanimidade, com os 49 votos da Casa. Na época, era aliado da governadora, que preferiu não interferir na eleição. O resultado dessa escolha se revelou ao longo do mandato.

Porto rompeu com o governo, tornou-se oposicionista, apoiou João Campos em 2026 e protagonizou sucessivos embates com o Executivo. Empréstimos, orçamento e projetos governamentais viraram motivos de disputa. A relação entre os dois Poderes foi marcada por conflitos.

Agora, Raquel chega em condições numericamente mais favoráveis. A coligação que garantiu sua reeleição conquistou cerca de 24 cadeiras, praticamente a maioria absoluta de 25 deputados. Com adesões individuais, a base poderá ultrapassar esse número.

O problema é acomodar os interesses dos próprios aliados.

O PSD, partido da governadora, reivindica a Presidência. Antônio Moraes, Joãozinho Tenório, Débora Almeida e Aglailson Victor aparecem entre os interessados. O Podemos também quer o comando da Casa e apresenta Gustavo Gouveia, enquanto a Federação União Progressista reivindica a Primeira Secretaria.

Raquel e o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, já iniciaram as articulações para construir uma candidatura de consenso.

O desafio é impedir que a disputa entre aliados produza divisões capazes de comprometer a relação com a Assembleia antes mesmo do início da legislatura.

A governadora conhece o preço de uma articulação política mal resolvida. Em 2023, a ausência de uma intervenção mais efetiva na escolha da Mesa ajudou a abrir caminho para quatro anos de dificuldades.

Desta vez, terá a oportunidade de conduzir o processo de maneira diferente. A eleição da Alepe mostrará se a articulação política continuará sendo uma dor de cabeça ou se Raquel conseguiu aprender com os erros do primeiro mandato.