O cartaz de domingo (30) no Recife Antigo, com frases como “Ela matou o marido para ganhar a eleição”, “Matadoras de maridos” e “Chapa anti-Lula”, não inaugurou a campanha de rua contra Raquel Lyra. Inaugurou a fase mais agressiva. A campanha já estava na rua desde o começo de agosto. A diferença é que, naquele momento, quase ninguém tratou o episódio como o que ele realmente era.
No dia 11 de agosto, a imprensa pernambucana registrou notas falsas de R$ 1 com o rosto da governadora e uma foto gerada por inteligência artificial ao lado de Flávio Bolsonaro. As “cédulas” foram encontradas no chão e coladas em muro. O slogan da montagem era o mesmo que voltaria no dia 30: “Chapa anti-Lula”. A matéria descrevia a intenção de nacionalizar o debate em Pernambuco para enfraquecer a campanha da governadora. A repercussão ficou no circuito local. Não virou capa nacional. Não virou “CPI de WhatsApp”.
Nove dias depois, em 20 de agosto, a Agência Lupa documentou o mesmo recorte no digital: anúncios impulsionados no Facebook e no Instagram com imagens de IA associando Raquel a Flávio Bolsonaro e a Mendonça Filho. A checagem lembrou que, na semana anterior, o Centro do Recife já tinha sido tomado pelos cartazes da “chapa anti-Lula”. Em 12 de agosto, o TRE-PE mandou tirar do ar publicação do perfil Juventude João Campos com foto sintética da governadora abraçada a uma figura que reproduzia o senador, sem o selo de conteúdo gerado por IA.
Raquel não declarou apoio a Flávio. Tem reiterado gratidão a Lula e parceria com o governo federal. A montagem existe para forçar o contrário: transformar a governadora em peça da polarização nacional, no estado em que Lula venceu com folga em 2022 e em que a Quaest de 25 de agosto a colocou com 44% contra 36% de João Campos.
O que mudou no dia 30 não foi o método. Foi o degrau. A nota de R$ 1 ridiculariza. A foto com Flávio nacionaliza. O cartaz da morte imputa crime. Fernando Lucena morreu de mal súbito em 2 de outubro de 2022. Não há investigação criminal. Quatro anos depois, a campanha de ódio tenta tratar o luto como homicídio eleitoral.
A campanha oficial de João Campos repudiou as peças de domingo e ameaçou processar quem as atribuísse à sua candidatura.




