O busto de Soledad Barrett Viedma, militante paraguaia assassinada pela ditadura militar brasileira, foi alvo de vandalismo na Rua da Aurora, no Centro do Recife. Fotografias obtidas pelo Bastidor PE mostram que a escultura foi parcialmente pintada de branco, principalmente no rosto e nos cabelos. A placa de identificação também apresenta marcas de depredação.

Inaugurado pela Prefeitura do Recife em fevereiro de 2025, o monumento fica ao lado do Tortura Nunca Mais, dedicado às vítimas da repressão política. Ainda não há informações sobre os responsáveis pelo vandalismo.

Quem foi Soledad Barrett?

Nascida no Paraguai, em 1945, Soledad teve uma vida marcada pela perseguição política. Aos 17 anos, foi sequestrada por neonazistas no Uruguai. Por se recusar a repetir palavras de ordem nazistas, teve suásticas gravadas nas pernas com uma navalha.

No Brasil, integrou a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização de resistência armada à ditadura. Em janeiro de 1973, foi assassinada por agentes da repressão no episódio conhecido como Massacre da Chácara São Bento, em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife.

Soledad estava grávida de quatro meses. Seu companheiro, José Anselmo dos Santos, conhecido como Cabo Anselmo, atuava como agente infiltrado da repressão e participou da operação que resultou na morte dela e de outros cinco militantes.

A ditadura apresentou os assassinatos como resultado de um confronto armado. Investigações posteriores desmontaram essa versão e comprovaram que os militantes foram vítimas de uma operação de execução.

Mais de cinco décadas depois de sua morte, Soledad volta a ser alvo de uma agressão, desta vez contra sua memória. O vandalismo atinge um monumento criado justamente para lembrar as vítimas de um período em que a violência política era praticada pelo próprio Estado.