O atraso de mais de quatro meses na aprovação do remanejamento de 20% na Lei Orçamentária de 2026 vai custar caro ao setor sucroalcooleiro de Pernambuco. O presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), Alexandre Andrade Lima, destacou o prejuízo futuro para os produtores independentes. Observadores do setor projetam perdas de quase R$ 70 milhões apenas pela queda de produtividade na safra 2026/2027.
O pedido de liberação emergencial de cerca de 36 mil toneladas de fertilizantes foi encaminhado ainda na última semana de dezembro de 2025 à governadora Raquel Lyra, antes do impasse na LOA que impediu a compra e a distribuição no tempo adequado.
Os produtores de cana foram os primeiros a ir para a rua. No dia 7 de abril, centenas de fornecedores organizados pela AFCP e pelo Sindicape realizaram um protesto em frente à Alepe, com caravanas vindas da Zona da Mata. Frustrados com o cancelamento do plenário por causa das chuvas, marcharam até o Palácio do Campo das Princesas.

A pressão ganhou reforço decisivo na última quarta-feira (22), quando cerca de 40 prefeitos da Amupe, acompanhados de deputados, se reuniram com o presidente da Alepe, Álvaro Porto. Na frente dos prefeitos, Álvaro ligou para a governadora Raquel Lyra e solicitou o envio imediato de um novo projeto com 20% de remanejamento. O texto foi enviado ainda naquele dia e aprovado por unanimidade na quinta-feira (23), encerrando mais de 115 dias de impasse.
Mesmo com a vitória, o prejuízo já está parcialmente consumado. Alexandre Andrade Lima explicou o problema:
“Esse adubo já era pra tá aplicado. Pode ser que essas áreas que não foram adubadas tenham um prejuízo em torno de 10% da produção.”
Ele completou:
“Estamos tentando agilizar agora pra diminuir esse prejuízo, para que os produtores adubem e consigam pelo menos ter uma produtividade razoável, apesar do atraso que aconteceu.”
Para observadores do setor, a adubação é fundamental nos primeiros três a quatro meses após o corte ou plantio da cana. Esse período coincide exatamente com o início das chuvas em Pernambuco, entre março e abril. O adubo precisa ser aplicado nesse momento para ser absorvido pelas raízes enquanto o solo está úmido. Sem isso na janela ideal, ocorrem perdas típicas entre 8% e 15% na produção por hectare. Alexandre arredondou para 10% como média conservadora.
A AFCP e o Sindicape representam cerca de 10 mil produtores independentes. Isso corresponde a 92% dos fornecedores do estado e a uma área entre 60 mil e 65 mil hectares na Zona da Mata.
Uma perda de 10% nessas áreas equivale a uma redução de cerca de 425 mil toneladas de cana na safra que está sendo formada. Com o preço médio atual da cana, base ATR, em torno de R$ 165 por tonelada, o prejuízo financeiro futuro chega a quase R$ 70 milhões.
Hoje (24), Alexandre Andrade Lima se reuniu com o secretário-chefe da Casa Civil, Túlio Vilaça, no Instituto Agronômico de Pernambuco – IPA, para acelerar a distribuição dos fertilizantes. O setor agora corre contra o tempo para aplicar, ainda em abril, o máximo possível de adubo e reduzir o impacto.




