A campanha de João Campos (PSB) ao governo de Pernambuco passou a circular material sob o título “O Maior Salário do Brasil” questionando a remuneração da governadora Raquel Lyra (PSD) como procuradora do Estado. O tema já tinha sido usado pelo candidato no debate da Rádio Cidade, quando ele chamou a adversária de “fura teto” e pediu a devolução de valores.
Segundo a planilha divulgada pelo campo socialista, a folha da Procuradoria-Geral do Estado registra remuneração mensal em torno de R$ 60,8 mil (base de cerca de R$ 50,7 mil mais adicionais). O levantamento apresentado pela oposição soma R$ 2,211 milhões brutos entre janeiro de 2023 e junho de 2026. O subsídio do cargo de governador no Estado está em R$ 22 mil.
A coordenação de Raquel rebate e diz que não há acúmulo nem soma de remunerações. Em nota, a campanha afirma que, ao assumir o Palácio, a gestora optou por manter apenas os vencimentos do cargo efetivo de procuradora, conquistado por concurso, com amparo no art. 6º da Lei Estadual nº 18.139/2023, aprovada pela Assembleia. “A tentativa de apresentar uma única remuneração como acúmulo é falsa e busca confundir o eleitor”, registra o texto.
No debate, Raquel usou o direito de resposta para lembrar a trajetória no serviço público, de advogada do Banco do Nordeste a delegada da PF e procuradora desde 2005. O campo de João, por outro lado, sustenta que o art. 38 da Constituição autorizaria a opção remuneratória só a prefeitos e vereadores, e tenta transformar a polêmica em peça de campanha. A disputa segue sem decisão judicial que declare os pagamentos ilegais ou determine devolução.
O embate chega com a disputa apertada no Datafolha, em que Raquel marca 47% e João 42%. A ofensiva sobre o salário da PGE entra no arsenal de ataques do Recife para tentar encurtar a diferença na reta final.




