A Utilgráfica e Editora Ltda., contratada pela Prefeitura do Recife em valor de R$ 4,3 milhões para fornecer livros paradidáticos, admitiu parentesco com o empresário Sebastião Figueiroa, alvo de dezenas de processos e já preso em investigações de corrupção. Em nota, a empresa diz que o vínculo é só civil e colateral, sem qualquer relação societária, patrimonial ou operacional.
O titular da gráfica é Marcelo Roberto Dias Figueiroa. Segundo a nota, o pai dele teria parentesco de primo com Sebastião, e este nunca figurou como sócio, administrador ou mandatário da Utilgráfica. A empresa, constituída em 1993 na Rua dos Prazeres, Boa Vista, afirma autonomia de sede, maquinário, funcionários e patrimônio, e cita decisões do TCE-PE que afastaram cautelares baseadas só na coincidência de sobrenome.
O contrato com a Prefeitura do Recife, no entanto, chama atenção pelo timing. A assinatura teria ocorrido faltando menos de duas horas para o fim do prazo de encerramento, ponto que a nota não esclarece. A gestão municipal, base política de João Campos (PSB) até a saída da prefeitura, passa a ter de explicar a escolha e a pressa do ajuste em ano eleitoral.
Sebastião Figueiroa já esteve ligado a gráficas como A Única e Unipauta em episódios anteriores de escrutínio. A Utilgráfica insiste que não há grupo econômico comum e aponta acórdão do TCE transitado em julgado em julho de 2025 reconhecendo regularidade com ressalvas em certame no Cabo de Santo Agostinho. O debate agora migra para a capital e para o peso político de contratos sensíveis na reta final.




