Se Pernambuco tivesse seguido a mesma trajetória de expansão do Nordeste, a diferença em relação ao movimento registrado e projetado para o Porto do Recife poderia representar até R$ 512,7 milhões em impacto econômico acumulado. A simulação abrange cinco ciclos, de 2022/2023 a 2026/2027, e dimensiona a distância entre esse cenário de crescimento e o desempenho portuário.

A nova reportagem da série Crise do Turismo, do Bastidor, apresenta a estimativa após mostrar a redução de 65,4% entre os 26 registros de navios de 2022/2023 e as nove escalas previstas para 2026/2027. O colapso no calendário coloca em discussão a capacidade de Pernambuco de atrair companhias e transformar as visitas em atividade econômica.

O cálculo reúne os balanços do Porto do Recife, a programação da Coordenadoria de Operações Portuárias e o estudo da CLIA Brasil com a Fundação Getulio Vargas. No cenário utilizado, a diferença acumulada chega a 640.108 de passageiros. Aplicado o impacto econômico médio de R$ 800,98 por cruzeirista nas cidades de escala, o resultado é de R$ 512.713.705,84.

A conta do impacto

Diferença acumulada multiplicada pela referência econômica por cruzeirista nas cidades de escala.

ItemValor
Diferença acumulada640.108 movimentos
Referência econômicaR$ 800,98 por cruzeirista
Resultado (640.108 × R$ 800,98)R$ 512.713.705,84

Fonte: CLIA Brasil e FGV, estudo da temporada 2025/2026, página 51. Cálculos do bastidor.pe.

A CLIA e a FGV fornecem o parâmetro econômico nacional. A trajetória de expansão é uma hipótese do levantamento. O ponto de partida é de 40.285 passageiros, seguido de crescimento composto de aproximadamente 69,3% por temporada. Essa referência tem origem em uma expectativa divulgada pelo próprio porto em 2019. Sua repetição nos cinco ciclos é a premissa que produz o cenário calculado.

Na movimentação registrada, o porto recebeu 27.287 movimentos de passageiros em 2022/2023, 31.268 em 2023/2024, 24.613 em 2024/2025 e 17.732 em 2025/2026. A contagem soma embarques, desembarques e passageiros em trânsito. Os 640 mil citados na projeção representam a diferença entre o cenário hipotético e essa base, acrescida da estimativa para 2026/2027.

Memória de cálculo

Cenário potencial de expansão frente ao movimento registrado e projetado no Porto do Recife, em movimentos de passageiros.

TemporadaCenário potencialRegistrado / projetadoDiferençaImpacto R$ mi
2022/202340.28527.28712.99810,41
2023/202468.20331.26836.93529,58
2024/2025115.46724.61390.85472,77
2025/2026195.48517.732177.753142,38
2026/2027330.9569.388*321.568257,57

* Projeção de público da próxima temporada. Todos os valores da coluna potencial são hipotéticos. A sequência inteira arredondada foi preservada do levantamento anterior.

Fonte: Porto do Recife, balanço de passageiros e navios (junho de 2026) e programação 2026/2027; CLIA Brasil e FGV. Cálculos do bastidor.pe.

Como a retração entra na conta

A programação de 2026/2027 apresenta nove escalas, diante de 17 na temporada anterior. A redução prevista de 47,1% é aplicada aos 17.732 movimentos registrados em 2025/2026. Mantida a mesma média de público por escala, o novo ciclo teria aproximadamente 9.388 movimentos. Essa é uma estimativa do levantamento, pois o cronograma do porto ainda não apresenta uma previsão preenchida de passageiros.

O cenário de expansão chega a 330.956 passageiros em 2026/2027. A distância para os 9.388 projetados é de 321.568 movimentos, correspondentes a R$ 257,6 milhões sob o parâmetro econômico utilizado. Essa parcela responde por cerca de metade do resultado acumulado. O restante corresponde às diferenças hipotéticas nas quatro temporadas anteriores.

O indicador de R$ 800,98 considera repercussões diretas, indiretas e induzidas na economia. Ele não se limita ao dinheiro gasto pessoalmente pelo visitante durante uma caminhada ou passeio na cidade. Também não equivale a arrecadação tributária ou lucro das empresas.

O levantamento utiliza a referência nacional de 2025/2026 em todos os ciclos. Por isso, a conta apresenta uma comparação em uma mesma referência monetária, sem reconstruir o faturamento histórico de cada temporada. A aplicação ao Recife é uma aproximação, pois o perfil dos passageiros, o tipo de operação e o consumo local podem diferir da média nacional.

Os R$ 512,7 milhões expressam impacto econômico potencial no cenário de expansão escolhido. O valor inclui uma temporada futura e depende da manutenção da hipótese de crescimento. Não constitui prejuízo financeiro.

A retração documentada das escalas exige metas públicas para recuperar rotas e ampliar a presença do Recife no mercado Nacional e Internacional de cruzeiros. A estimativa ajuda a discutir a dimensão econômica de uma trajetória de expansão. A cobrança por resultados deve acompanhar a divulgação de negociações, indicadores de fluxo, consumo local e continuidade das ações de atração de companhias.