Depois de revelar que o turismo de Pernambuco encolheu 8,2% até agosto, a série Crise do Turismo, do Bastidor, apresenta outro sinal de perda. Entre janeiro e setembro de 2026, o estado teve 1.056 decolagens domésticas a menos que no mesmo período de 2025. A queda das frequências atingiu Recife, Fernando de Noronha e Caruaru.

O levantamento com dados da Agência Nacional de Aviação Civil aponta redução de 3,6%. Nos nove primeiros meses do ano passado, Pernambuco havia registrado cerca de 29,6 mil saídas domésticas. Em 2026, o número caiu para 28,6 mil. A comparação considera voos comerciais com assentos disponíveis e origem nos aeroportos pernambucanos.

A redução ocorre sobre uma base que já havia diminuído. Em 2025 completo, as decolagens domésticas caíram 12,6% diante de 2024, com quase 5,7 mil operações a menos. O resultado de 2026 dá continuidade à retração, mesmo depois dessa perda anterior.

Quando a referência são os nove primeiros meses de 2024, o recuo acumulado fica ainda mais expressivo. Pernambuco perdeu 5,7 mil saídas domésticas, quase 17%. A quantidade de operações de janeiro a setembro de 2026 também ficou abaixo dos mesmos meses de 2023 e de 2022.

A perda de frequência, ano a ano

Janeiro a setembro Decolagens domésticas Variação anual

Janeiro a setembroDecolagens domésticasVariação anual
202229.210Referência
202330.960+6,0%
202434.271+10,7%
202529.626-13,6%
202628.570-3,6%

Fonte: Anac, Dados Estatísticos do Transporte Aéreo. Cálculos do bastidor.pe.

Anos completos

Decolagens domésticas com oferta de assentos e origem em Pernambuco.

AnoDecolagens domésticasVariação anual
202238.843Referência
202342.180+8,6%
202445.093+6,9%
202539.420-12,6%

Fonte: Anac, Dados Estatísticos do Transporte Aéreo. Cálculos do bastidor.pe.

O Recife concentrou a maior redução absoluta, com 955 voos domésticos a menos. A queda foi de 3,6% no principal aeroporto do estado. Fernando de Noronha perdeu 353 decolagens, recuo de quase 23%. O arquipélago passou de aproximadamente 1,6 mil saídas para 1,2 mil nos nove meses comparados.

Em Caruaru, as saídas domésticas passaram de 51 para 39. A perda de 12 operações representou queda de 23,5%, a maior redução proporcional entre os aeroportos pernambucanos afetados no período. Recife, Noronha e Caruaru somaram 1.320 decolagens a menos. Altas em Petrolina, Araripina, Garanhuns e Serra Talhada compensaram parte dessa perda, deixando o saldo estadual negativo em 1.056.

Onde as decolagens domésticas diminuíram

Aeroporto 2025 2026 Diferença Variação

Aeroporto20252026DiferençaVariação
Recife26.44625.491−955−3,6%
Fernando de Noronha1.5611.208−353−22,6%
Caruaru5139−12−23,5%
Petrolina1.3731.553+180+13,1%
Araripina68101+33+48,5%
Garanhuns5481+27+50,0%
Serra Talhada7397+24+32,9%
Pernambuco29.62628.570−1.056−3,6%

Fonte: Anac, Dados Estatísticos do Transporte Aéreo. Cálculos do bastidor.pe.

O pior período de 2026 foi o segundo trimestre. Entre abril e junho, as decolagens domésticas recuaram 6,2% sobre os mesmos meses de 2025. Maio teve a maior queda mensal, de 10,5%. A redução também apareceu no primeiro e no terceiro trimestres, mostrando que o problema atravessou os três períodos analisados do ano.

Períodos mais afetados de 2026

Decolagens domésticas, comparação com 2025.

Comparação com 202520252026Variação
Janeiro a março10.67710.331−3,2%
Abril a junho9.5318.936−6,2%
Julho a setembro9.4189.303−1,2%
Maio3.2812.935−10,5%
Janeiro4.0473.696−8,7%

Fonte: Anac, Dados Estatísticos do Transporte Aéreo. Cálculos do bastidor.pe.

A maior queda entre os anos completos de 2023 a 2025 ocorreu em 2025. Dentro de 2026, o segundo trimestre teve o pior resultado, e maio foi o mês de maior recuo percentual diante do mesmo mês do ano anterior.

Leia a primeira reportagem da série Crise do Turismo no Bastidor.pe

Menos frequências e atividade em retração

A expansão internacional, destacada pelo governo estadual, não compensou a perda doméstica. Entre janeiro e setembro, Pernambuco ganhou 360 decolagens internacionais, enquanto registrou 1.056 saídas domésticas a menos. Mesmo com crescimento de 38,2% nas operações internacionais, o estado terminou o período com menos saídas comerciais no conjunto dos dois grupos.

O saldo estadual

Janeiro a setembro, decolagens domésticas e internacionais.

Natureza do voo20252026Diferença
Doméstica29.62628.570−1.056
Internacional9421.302+360
Total da seleção30.56829.872−696

Fonte: Anac, Dados Estatísticos do Transporte Aéreo. Cálculos do bastidor.pe.

A frequência também precisa aparecer no balanço da conectividade. Na seleção doméstica analisada, os assentos aumentaram 2,3% e os passageiros transportados, 1,5%. Houve mais capacidade média por decolagem. O total de viajantes deixa de mostrar, sozinho, que a quantidade de voos realizados diminuiu.

Os números ampliam o diagnóstico iniciado com os dados oficiais do IBGE. De janeiro a agosto de 2026, o volume de atividade turística de Pernambuco caiu 8,2% diante dos mesmos meses de 2025. O indicador desconta os efeitos dos preços e acompanha a evolução real dos serviços turísticos pesquisados.

A retração apagou os ganhos registrados nos mesmos períodos de 2024 e 2025. O nível de atividade dos oito primeiros meses de 2026 ficou 1,7% abaixo de 2023, primeiro ano da atual gestão estadual, e 5,0% abaixo de 2024. O estado passou a operar abaixo do patamar dos três anos anteriores nesse recorte.

Pernambuco também apresentou a segunda maior queda entre as 17 unidades da Federação pesquisadas pelo IBGE. Apenas o Ceará teve resultado pior, com recuo de 8,5%. No Brasil, a redução foi de 0,8%. A distância de 7,4 pontos percentuais mostra que a retração pernambucana foi bem mais intensa que a nacional.

A perda de atividade e a redução das frequências domésticas pressionam o discurso de expansão do turismo estadual. Recordes de mercados internacionais mostram uma parte do movimento. O balanço completo precisa incorporar o encolhimento da malha doméstica e o recuo real dos serviços, além de explicar quais resultados as estratégias de promoção e conectividade estão entregando ao conjunto do setor.

As comparações de voos mantêm janeiro a setembro em todos os anos. Os dados de atividade turística abrangem janeiro a agosto. São dois recortes oficiais que registram perdas em dimensões diferentes do turismo pernambucano ao longo de 2026.

Dados da Anac extraídos no levantamento de 27 de outubro de 2026. Fechamento editorial em 30 de outubro de 2026.

Memória de cálculo

Somar DECOLAGENS por ano e mês, selecionando AEROPORTO_DE_ORIGEM_UF igual a PE, GRUPO_DE_VOO regular ou não regular e ASSENTOS maior que zero. Separar NATUREZA em doméstica e internacional. Para os aeroportos, agrupar pelo código de origem. A variação percentual é o total de 2026 dividido pelo total comparável de 2025, menos 1, multiplicado por 100.

Os totais dos aeroportos afetados somam perda de 1.320 decolagens domésticas. Os demais terminais acrescentaram 264, deixando redução estadual líquida de 1.056. As operações internacionais ocorreram no Recife no recorte usado.