O turismo de Pernambuco acumulou queda de 8,2% no volume de atividade entre janeiro e agosto de 2026 e atingiu o menor patamar para o período entre os quatro anos da atual gestão estadual. O resultado consta da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE. Levantamento dos índices mostra que a retração levou a atividade a um nível inferior ao dos mesmos oito meses de 2023, 2024 e 2025.
A comparação com 2025 revela a dimensão mais imediata da perda. O recuo também aparece quando a referência são os anos anteriores. De janeiro a agosto de 2026, o volume ficou 1,7% abaixo do registrado em 2023 e 5,0% abaixo de 2024. O setor perdeu os avanços obtidos desde 2023 nesse recorte e passou a operar abaixo do ponto de partida da comparação.
Nível de 2026 frente aos anos anteriores
Diferença do volume de janeiro a agosto de 2026 em relação ao mesmo período de cada ano
| Ano de referência | Diferença do volume de 2026 |
|---|---|
| 2023 | -1,7% |
| 2024 | -5,0% |
| 2025 | -8,2% |
Fonte: IBGE/PMS, tabela 8694 do SIDRA. Cálculos do bastidor.pe.
O quadro interrompe uma sequência de crescimento. Nos oito primeiros meses de 2023, a atividade havia avançado 2,6% sobre o mesmo período de 2022. Em 2024, cresceu 3,5%, seguida de alta de 3,4% em 2025. A queda de 2026 foi suficiente para reverter os ganhos acumulados nos dois últimos desses movimentos.
Volume do turismo em Pernambuco
Variação de janeiro a agosto frente ao mesmo período do ano anterior
Fonte: IBGE/PMS, tabela 8694 do SIDRA. Cálculos do bastidor.pe.
A receita nominal também mostra perda de ritmo. Sua taxa de crescimento caiu de 14,0% em 2023 para 11,1% em 2024, 9,6% em 2025 e 5,8% em 2026. Todas as taxas consideram janeiro a agosto e o confronto com os mesmos meses do ano anterior. O resultado de 2026 é o menor crescimento de faturamento nominal entre os quatro anos analisados.
Volume e receita nominal do turismo em Pernambuco
Variação de janeiro a agosto frente ao mesmo período do ano anterior
| Ano | Volume | Receita nominal |
|---|---|---|
| 2023 | +2,6% | +14,0% |
| 2024 | +3,5% | +11,1% |
| 2025 | +3,4% | +9,6% |
| 2026 | -8,2% | +5,8% |
Fonte: IBGE/PMS, tabela 8694 do SIDRA. Cálculos do bastidor.pe.
O indicador nominal registra o faturamento em reais correntes. O volume é calculado pelo IBGE com o desconto dos efeitos dos preços, por meio de índices específicos das atividades pesquisadas. A combinação de receita nominal maior e volume menor evidencia a perda de atividade real. A expansão em dinheiro corrente, isoladamente, oferece uma leitura incompleta do desempenho do setor.
Recuo acima da média nacional
Pernambuco também teve resultado inferior ao brasileiro. Enquanto o volume das atividades turísticas do país recuou 0,8% de janeiro a agosto, a retração estadual chegou a 8,2%. A diferença foi de 7,4 pontos percentuais. Entre as 17 unidades da Federação pesquisadas, Pernambuco apresentou a segunda maior queda acumulada, atrás do Ceará, que registrou recuo de 8,5%.
A deterioração do acumulado se acentuou ao longo dos meses. O volume pernambucano caiu 6,8% no primeiro semestre, 7,9% de janeiro a julho e 8,2% de janeiro a agosto, sempre em relação aos mesmos períodos de 2025. Em agosto, a atividade cresceu 3,1% sobre julho, com ajuste sazonal. Ainda assim, ficou 10,2% abaixo de agosto de 2025. A recuperação mensal deixou o acumulado em terreno negativo.
Pernambuco e Brasil
Variação do volume de atividades turísticas de janeiro a agosto de 2026 frente ao mesmo período de 2025
Evolução do acumulado em Pernambuco em 2026
Fonte: IBGE/PMS, tabela 8694 do SIDRA. Cálculos do bastidor.pe.
O resultado de 2026 exige uma revisão do discurso de expansão sustentado pelo governo estadual. Em publicação da Secretaria de Turismo sobre janeiro a novembro de 2025, a gestão associou os resultados daquele período à eficácia das políticas públicas e das estratégias de promoção do destino. A mesma pesquisa usada como referência naquela divulgação registra agora uma retração expressiva da atividade pernambucana.
A avaliação da política de turismo precisa incorporar essa perda. O desempenho de entradas internacionais, eventos e aeroportos mede dimensões específicas do setor. A análise do volume de serviços acrescenta a dimensão econômica real e mostra que o crescimento de indicadores pontuais convive com uma contração ampla no agregado acompanhado pelo IBGE.
O levantamento utiliza os números da tabela 8694 do SIDRA e o caderno da Pesquisa Mensal de Serviços de agosto de 2026. As comparações históricas mantêm janeiro a agosto em todos os anos. O diagnóstico se refere aos oito primeiros meses de 2026 e registra a reversão do crescimento observado nos mesmos períodos dos três anos anteriores.