A Polícia Federal identificou uma sala-cofre destinada a guardar dinheiro em espécie em um hangar usado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL), no aeroporto internacional de Brasília. Segundo relatório da PF, não havia dinheiro no local, mas os agentes encontraram malas vazias, uma máquina de contar cédulas e “estrutura interna gradeada e compartimentada, típica de ambiente destinado à custódia de valores”. A equipe chegou à sala depois de uma denúncia anônima sobre uma parede falsa, durante buscas feitas em agosto na Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em aposentadorias do INSS.
Para a PF, a estrutura nas instalações da Direção Táxi Aéreo é “compatível, em tese,” com a movimentação de dinheiro vivo em aeronaves particulares, e a ausência de cédulas “não afasta a relevância dos vestígios”, que vão passar por perícia. A assessoria de Willer afirmou que a sala atende transportadoras de valores, clientes da empresa de aviação, e chamou de “fantasiosa” e “beira o ridículo” a insinuação de que o local servia para guardar ou contar dinheiro de origem ilícita.
O advogado também está no centro da briga com o atacante Richarlison pela posse de uma ilha em Angra dos Reis (RJ). O jogador divulgou documentos da compra feita em 2020, disse ter investido R$ 10 milhões, incluindo R$ 4,66 milhões pagos a antigos posseiros, e acusou Willer de ressuscitar uma empresa inapta desde 2018 para tomar o imóvel. Em resposta, Willer afirmou que o atleta comprou a ilha de invasores e que ele tem escritura, registro em cartório e certidão da Secretaria do Patrimônio da União. Disse ainda que Flávio nunca comprou nem vendeu nada ligado ao caso e chamou a ofensiva de oportunismo eleitoral.
Willer já é investigado ao lado do senador por suspeita de evasão de divisas e lavagem de dinheiro com bets, caso que levou a PF a abrir novo inquérito no STF. Nesta semana, a corporação também apontou que ele pagou para tirar do ar notícias que o ligavam a Flávio e bancou viagens de um ex-presidente da Loterj.
Foto: Reprodução/Redes Sociais