A Polícia Federal começou a apurar a disputa por uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), entre o atacante Richarlison e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL). O jogador acusa os dois de terem atuado para tirar dele a posse do imóvel, no qual diz ter investido cerca de R$ 10 milhões. A apuração começou depois que o presidente Lula (PT) anunciou, na quarta-feira (21), que pediria uma investigação à PF.
A corporação não abriu um novo inquérito. A denúncia será incorporada à investigação que já apura a relação entre Flávio e Willer, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal. Nesse inquérito, a PF encontrou uma sala-cofre e uma máquina de contar dinheiro em um hangar ligado ao advogado. Um dos pontos questionados é a atuação da Secretaria do Patrimônio da União, responsável pelos direitos de ocupação da área, que pertence à União.
“Esse rapaz comprou a ilha por R$ 10 milhões e de repente ele viu ilha desaparecer”, disse Lula em vídeo. “Estou pedindo para a Polícia Federal investigar para saber onde que foi feito o trambique.” Richarlison afirma que comprou os direitos em 2020 por meio de uma empresa, que Flávio quis o imóvel e que ele se recusou a vender. Segundo o atacante, o pedido de sua empresa ficou cerca de dez meses sem resposta na SPU, enquanto o do grupo de Willer teria sido concluído em um dia.
Flávio nega envolvimento e diz que não participou dos processos. Willer afirma que adquiriu regularmente os direitos de ocupação, que Richarlison pagou posseiros sem direito legítimo sobre a ilha e que a empresa do jogador perdeu na Justiça, inclusive no Superior Tribunal de Justiça. Segundo o advogado, o senador foi apenas indicado como testemunha em um dos processos. Flávio e Willer negam qualquer irregularidade.
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