Os candidatos à Presidência Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entregaram nesta quinta-feira (22) uma petição conjunta ao Tribunal Superior Eleitoral em que autorizam a quebra imediata, total e simultânea dos seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O documento é dirigido ao ministro André Mendonça e pede que os dados sejam tornados públicos ainda hoje numa plataforma de livre acesso, como um site público ou o DivulgaCand, sistema do próprio tribunal. O desafio nasceu no debate de domingo (18), virou pedido formal do petista na segunda (20) e foi aceito por Flávio com condições na quarta (21).

No caso de Lula, a quebra alcança familiares, o Instituto Lula e a empresa L.I.L.S. Palestras. No de Flávio, inclui familiares, empresas em que ele é sócio, mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e contas no exterior, entre elas a da Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e administrada pelo advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Segundo a campanha petista, a inclusão da Alcazar foi o ponto de maior resistência na reunião de mais de uma hora que antecedeu a entrega. Um aditamento escrito à mão fixa o prazo das autorizações em 23h59 desta quinta e diz que o acordo não implica reconhecer a propriedade de contas ou empresas de terceiros.

Coordenador da campanha de Lula, o senador Camilo Santana (PT-CE) disse que o presidente aceitou todas as condições de Flávio. “É preciso que o sigilo e todas as autorizações sejam feitas hoje, para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão e quem não é ladrão nesse país”, afirmou. Pelo lado do senador, a advogada Maria Claudia Bucchianeri, ex-ministra do TSE, indicou que os dados de Flávio só virão depois da conferência dos de Lula. “Se ele [Lula] verdadeiramente trouxe os documentos que a gente pediu, como ele disse que faria, nós reafirmamos aqui o que é público, que vamos trazer. E será bastante rápido. Nós temos tudo já”, disse. Ela cobrou ainda dados do petista desde 2003 e o telefone de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente.

A conferência ficará com o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), ex-procurador da República, escalado pela campanha de Flávio para auditar os papéis de Lula. “Da última vez que eu analisei os sigilos de Lula, ele foi parar na cadeia”, disse. Pelo acordo, Mendonça deve requisitar as informações ao Banco Central, às instituições financeiras, à Receita Federal e às operadoras de telefonia. Como a entrega de Flávio depende dessa conferência, a divulgação completa antes do domingo (25) ainda é incerta. Em Petrolina, na segunda, Lula havia dito que o adversário não teria coragem de abrir os sigilos.

Foto: Nelson Almeida/AFP