Fotos divulgadas na noite de quarta-feira (21) mostram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), ao lado da lobista Roberta Luchsinger em viagens de jatinho, festas e encontros com empresários e integrantes do governo federal. A Polícia Federal investiga se os dois atuavam em parceria para intermediar interesses de empresas privadas junto ao governo, com a lobista captando clientes e o filho do presidente usando o acesso a autoridades. Mensagens recuperadas pelos investigadores deram origem a três inquéritos, que a PF juntou numa só apuração, com pedido de prazo ao STF.

Uma das imagens mostra o grupo dentro de um Embraer Praetor 600 fretado para uma viagem à Finlândia em janeiro de 2025, para ver a aurora boreal. Um avião novo do mesmo modelo custa mais de US$ 20 milhões. Outra registra Lulinha e Luchsinger com o empresário Marcelo Checon, dono da MChecon Design e Cenografia. Segundo a reportagem que revelou as fotos, a empresa conquistou 13 contratos com o governo federal nos últimos três anos, que somam R$ 63 milhões. Antes da posse de Lula, em 2023, tinha apenas um contrato federal, de R$ 197 mil.

Uma quarta foto mostra o filho do presidente na virada para 2025 numa mansão alugada pela lobista em Brasília, ao lado de Swedenberger Barbosa, assessor do gabinete pessoal da Presidência. A divulgação ocorre depois do rompimento público de Luchsinger com o governo. Após o debate de domingo (18), ela disse que Lula e ministros mentiram sobre a relação com ela, e já falou em fazer delação premiada.

Os advogados de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho e Guilherme Suguimori, chamam as diligências da PF de “pesca probatória”, afirmam que os extratos bancários dele não mostram pagamentos feitos por Luchsinger e dizem que as viagens ocorreram por amizade. A defesa da lobista disse que não vai comentar “vazamentos ilícitos e fotografias de procedência duvidosa”. No Congresso, o pedido de CPMI sobre o caso, da deputada Coronel Fernanda (PL-MT), tinha 83 assinaturas até segunda (19), longe dos 171 deputados necessários. Em Pernambuco, a senadora Teresa Leitão (PT) assinou o requerimento. O PT, por sua vez, anunciou na terça (20) 103 assinaturas para outra CPMI, sobre Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e Willer Tomaz.

Foto: Reprodução/Veja