A Polícia Federal enviou ao STF um novo inquérito contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro na relação dele com o advogado Willer Tomaz. O caso, revelado neste domingo (18), foi distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes. Com isso, Flávio passa a responder a dois inquéritos no Supremo. O primeiro trata do pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e está com o ministro André Mendonça.

A nova apuração nasceu de um inquérito da PF no Rio Grande do Sul sobre plataformas de pagamento digital e o setor de apostas. Os investigadores dizem ter encontrado “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”, primeira bet autorizada pelo governo do Rio de Janeiro a explorar apostas esportivas. Na quebra de sigilo da nuvem do celular do advogado, apareceram vínculos com Flávio, que tem foro privilegiado, e o caso subiu ao Supremo.

Segundo a PF, o material reúne registros de festas, encontros e reuniões entre os dois, pagamentos de viagens ao senador e documentos pessoais de Flávio guardados na nuvem de Willer. A investigação aponta ainda que Flávio aparecia como “usuário master” de uma conta da offshore Alcazar Holding, da qual o advogado é sócio, e que a exclusão desse acesso foi pedida em maio de 2025. Uma das contas de Willer movimentou cerca de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025. O inquérito também mira suspeitas de favorecimento a empresa de apostas e de fraude numa licitação da Loterj, além da relação do advogado com o ex-governador do Rio Cláudio Castro.

A assessoria de Flávio negou a existência de uma conta bancária conjunta, e Willer afirmou em nota que a informação “não condiz com a verdade”. Na sexta-feira (16), o senador já tinha dito que a relação com o advogado é exclusivamente de amizade. Willer foi alvo de busca e apreensão em agosto na Operação Sem Desconto, sobre fraudes no INSS, por suspeita de lavar dinheiro para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), apuração em que Flávio não era investigado. O nome dele também aparece no caso do servidor do STJ exonerado por suspeita de vazar minutas, e ele é um dos donos do jato usado por Flávio em janeiro de 2025.

A notícia sai horas antes do primeiro debate do segundo turno, na Band, marcado para as 20h. A votação será no domingo (25).

Foto: Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro