A três dias do segundo turno, o cientista político Adriano Oliveira avalia que Flávio Bolsonaro (PL) chega à reta final com um “leve favoritismo” sobre o presidente Lula (PT), mas que a eleição está longe de decidida. Em entrevista a uma rádio do Recife nesta quinta-feira (22), ele disse que o fator que deve definir o voto dos indecisos é o medo. “Eu não tenho nenhuma evidência científica que me faça afirmar, categoricamente, que Flávio ganha a eleição no próximo domingo. Eu tenho evidências científicas de que Flávio chega na reta final com leve favoritismo, repito, leve, mas, de modo algum, nós podemos desconsiderar a possibilidade de vitória do presidente Lula”, afirmou.

Adriano usa um agregador que reúne levantamentos por telefone, internet, fluxo e domicílio e guarda só o resultado mais recente de cada instituto. Pelo modelo, Flávio tem 50,8% dos votos válidos. “Ele se sustenta acima dos 50% dos votos válidos. O presidente Lula vem se movimentando, mas ainda não alcançou esses 50%”, disse. Ele defendeu a Quaest e o Datafolha das críticas da campanha bolsonarista e avaliou que a última Quaest, com 45% para Flávio e 44% para Lula, foi boa para o petista sem ser ruim para o senador. A favor de Flávio, cita a rejeição numericamente maior de Lula no agregador e o “sentimento de mudança” que suas pesquisas qualitativas registram desde o ano passado.

A favor de Lula, aponta o medo de Flávio ligeiramente acima do medo de Lula na Quaest, a estratégia petista de alertar para a perda de conquistas sociais e a melhora lenta do presidente desde o início do segundo turno. Para explicar o medo, recorre ao conceito freudiano de desamparo. “Desamparo significa que, se dado candidato ganhar, eu posso perder meus direitos. Ou significa também que a situação vai permanecer a mesma, como, por exemplo, a ameaça de violência”, disse. Segundo ele, quem teme Lula fala em violência, corrupção e impostos altos, e quem teme Flávio receia perder direitos sociais.

Como mais de 90% dos eleitores de cada lado dizem que não mudam o voto, a disputa real envolve de 8% a 10% do eleitorado, calcula. O último debate, na sexta-feira (23), os recortes que vão circular nas redes e o Datafolha previsto para a noite desta quinta devem indicar a tendência. Adriano defendeu o transporte gratuito no domingo, porque a abstenção atinge sobretudo eleitores de baixa renda, jovens e idosos, o que, se crescer, pode prejudicar Lula, numa eleição que tende a ser decidida por quem ficou em casa no primeiro turno. “Aquele que fizer mais medo tende a perder a eleição”, concluiu.

Foto: Renato Pizzutto/Band