Flávio deve largar na frente, mas 2º turno será decidido por quem ficou em casa
Votos dos candidatos menores tendem a migrar para o PL; desafio de Lula é levar às urnas o eleitor que aparece nas pesquisas, mas não saiu para votar.
As primeiras pesquisas do segundo turno devem mostrar Flávio Bolsonaro na frente. A conta é simples: Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de 1,87 ponto e de pouco mais de 2,2 milhões de votos. Os demais candidatos, Caiado, Renan Santos e Augusto Cury à frente, somaram cerca de 7,8% dos válidos. É mais que o dobro da distância entre os líderes, e a tendência é que esse eleitorado migre majoritariamente para o campo de Flávio assim que o cenário se afunila.
Mas pesquisa mede intenção de voto, e voto é outra coisa.
Os institutos entrevistam todo o eleitor apto, inclusive quem não compareceu e quem anulou sem querer. E esse contingente é grande: a abstenção do primeiro turno foi de 21,07%, os brancos somaram 1,84% e os nulos, 2,93%. Em números absolutos, são mais de 33 milhões de eleitores que ficaram em casa.
Segundo a leitura de bastidor, esse grupo, e em especial o nulo “involuntário”, é mais lulista que a média. Por isso Lula também deve crescer em percentual nas próximas sondagens: elas contam eleitores que, no dia da eleição, podem não ser contabilizados.
É aí que mora o risco para Lula. A intenção declarada ao pesquisador não vira voto se o eleitor não sair de casa. Lula perde mais que o adversário com a abstenção e com o nulo “sem querer”, porque esse público está mais perto dele. O que aparece como força no questionário pode evaporar na urna.
Em Pernambuco, estado natal de Lula, o último Datafolha no estado, de 03 de outubro, mostrava Lula com 65% no primeiro turno contra 26% de Flávio, e 64% a 30% no segundo. A vantagem é enorme, mas só vale o que for convertido em voto.
Resultado similar ao da urna: 63,45% para Lula e 31,03% para Flávio. Com cerca de 18% de abstenção. Mais de 1,3 milhão de eleitores não foram votar em Pernambuco.
Em julho, a Quaest já havia captado em Pernambuco algo entre 18% e 19% de eleitores dizendo votar em branco, nulo ou não votar nos cenários de segundo turno, um volume que, se virar abstenção, escorre do lado de Lula.
O recado para o campo lulista é direto: a eleição se decide também na tarefa de mobilizar quem ficou em casa. Se a abstenção do primeiro turno se repetir, a conta fecha para o outro lado, e Flávio é presidente.
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