Em junho, o Bastidor.pe documentou um almoço em Brasília entre Pedro Campos (PSB), Anderson Ferreira e o Coronel Feitosa. Segundo fontes ouvidas pelo portal, a articulação buscava lançar uma candidatura própria do PL ao Governo de Pernambuco, criando um terceiro polo para enfraquecer Raquel Lyra e favorecer João Campos numa eventual disputa de segundo turno.
Anderson chegou perto de entrar na disputa. Havia pressão interna e, segundo os relatos, interesse do PSB na candidatura. A reação pública de Gilson Machado foi decisiva para confrontar a articulação. Ele alertou que um candidato incapaz de agregar o eleitorado de direita seria apenas um “fantoche” destinado a tumultuar a eleição e beneficiar o PSB.
Na avaliação desta coluna, Gilson ajudou a impedir uma fragmentação que poderia ter custado caro à candidatura de Raquel.
O Coronel Feitosa, associado às conversas, negou a articulação e classificou a reportagem como falsa. O desgaste político, entretanto, permaneceu. Sua votação caiu, embora não seja possível atribuir essa perda exclusivamente ao episódio.
No Recife, Eduardo Moura desempenhou papel igualmente importante. Enquanto parte da direita oscilava entre aproximações e silêncios, o vereador manteve uma oposição ostensiva à gestão de João Campos, com fiscalizações, denúncias e enfrentamentos públicos.
Sem Moura, a oposição ao PSB na Câmara Municipal teria sido consideravelmente mais fraca. Sua atuação ajudou a romper a imagem de uma administração praticamente imune à contestação política.
Gilson e Moura atuaram em frentes diferentes, mas produziram efeitos convergentes. Um confrontou a possibilidade de uma candidatura que dividiria o campo anti-PSB. O outro sustentou uma oposição municipal que ajudou a desgastar João Campos.
Os dois tiveram importância política na vitória de Raquel Lyra, mesmo sem integrar seu núcleo de aliados históricos.
É justamente por isso que a reclamação de Eduardo Moura sobre a falta de reconhecimento da governadora merece atenção. Raquel não precisava concordar com tudo o que fizeram, mas faria bem em reconhecer o papel de quem enfrentou adversários que também eram seus.