No segundo turno, Lula descobre a selfie e o partido manda a militância parar de brigar na internet, enquanto aposta em figuras que entram em choque com a mensagem que tenta vender.

Durante anos, Lula fez questão de dizer que não tinha celular e ironizou a dependência das telas. Agora, no segundo turno, aparece gravando vídeos em formato selfie para Instagram e TikTok. A campanha admitiu que perdeu terreno nas redes e tenta corrigir em poucos dias uma deficiência acumulada ao longo do mandato.

A mesma pressa aparece na relação com grupos que o partido precisa reconquistar. Durante 4 anos, o PT só fez acumular atritos com lideranças evangélicas. Em 2022, por exemplo, Gleisi Hoffmann disse que dispensava o perdão de Edir Macedo. Agora, cartilhas da campanha orientam militantes a conversar com religiosos, evitar confronto e explicar posições de Lula sobre a fé.

Até a militância recebeu ordem explícita para conversar “sem briga” com o eleitor. O problema é que mudança de linguagem não apaga anos de hostilidade política em alguns segmentos.

O caso de Ana Elisa Santos Silva expõe outro grande problema. Aos 21 anos, a deputada eleita foi recrutada para reforçar a estratégia digital de Lula. Pouco depois, antigas publicações atribuídas ao perfil dela passaram a circular com críticas a evangélicos, empresários e empreendedores. Ana Elisa teve que desativar suas contas mais problemáticas.

O PT continua errando. O partido é tão fechado que tenta falar para fora usando referências de dentro. Muda a embalagem, mas não consegue mudar a roupagem que afastou o “pobre de direita”, “CEO de MEI” e o cristão “alienado”.

Selfie ajuda. Cartilha ajuda. Influenciador ajuda. Mas credibilidade não se improvisa em duas semanas. A correria não corrige o descaso. Só o deixa mais visível.