Eduardo Moura decola nas pesquisas e pode ultrapassar os 10%
Foto: Câmara do Recife
Há um momento em que a curva de um gráfico deixa de ser apenas uma oscilação estatística e passa a ser um fato político. Eduardo Moura (NOVO) cruza essa linha e rompe a barreira do som.
Os dados mais recentes da pesquisa Conecta/OpinData, divulgados em 5 de dezembro e consolidados no Radar de Pesquisas do bastidor.pe, trazem o vereador do Recife com 7% das intenções de voto na disputa pelo Governo de Pernambuco.
Pode parecer pouco para quem olha de longe, mas, na microfísica do poder local, é um terremoto silencioso. Em agosto, a média de Moura girava em torno de 3%. Em setembro, tocou os 6% no Simplex. Agora, consolidado em 7% e roçando a barreira simbólica dos 10%, ele deixa de ser um “ruído” na margem de erro para se tornar um player com lugar à mesa.
O que os números dizem, e o que as campanhas de João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) já perceberam, é que o crescimento de Moura não é inercial. É orgânico.
Evolução: Eduardo Moura
Intenção de voto nas últimas 3 pesquisas do Instituto Conecta
A migração do voto de protesto
Para entender como um candidato sem tempo de TV, sem prefeitos no interior e sem a máquina do Estado triplicou de tamanho em um semestre, é preciso olhar para o vácuo deixado pelos gigantes.
Novembro foi um mês de indecisão recorde. Como registramos anteriormente, a soma de brancos, nulos e indecisos chegou a bater quase 20% na média das pesquisas. O eleitor estava recuando, insatisfeito com a polarização entre a hegemonia recifense do PSB e a gestão estadual do PSD.
Dezembro pode trazer a resposta, se a média das pesquisas de dezembro mostrar que o grupo de brancos, nulos e indecisos migra em direção a Moura, o cenário eleitoral tende a se reorganizar ao redor dessa indicação.
O perigo dos dois dígitos
Chegar a 7% coloca Moura em uma zona perigosa para ele e para os adversários. Na política, o dígito único é tolerado. O duplo dígito é combatido.
Se a tendência de alta se mantiver e ele romper a barreira dos 10% nas próximas rodadas, a dinâmica da eleição muda de figura. Com 10%, Moura não vence a eleição, mas define quem perde. Ele se torna o fiel da balança capaz de forçar um segundo turno que, até meses atrás, parecia incerto.
Mais do que isso: ele quebra a narrativa de que a disputa é um plebiscito entre duas máquinas. João Campos opera com a força da entrega municipal. Raquel Lyra, com a caneta do Estado. Moura opera com a narrativa do “nós contra eles”, onde “eles” são a burocracia política que o eleitor culpa por seus problemas cotidianos.
Eduardo Moura entrou no jogo como um fiscal de gabinete. Está terminando o ano como o candidato que, sem estrutura, ameaça furar a bolha da polarização. O silêncio do eleitor indeciso de novembro começou a ganhar voz em dezembro. E essa voz, por enquanto, tem sotaque liberal e apelo popular.
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