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É Falso! PF não pediu investigação contra Priscila Krause

Rodrigo Ambrosio Por Rodrigo Ambrosio em 22/06/2026, 9h45 · Atualizado às 9h54

Imagem: Edição

É falsa a informação de que a Polícia Federal teria pedido ao Superior Tribunal de Justiça autorização para investigar a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause, por supostos repasses na Saúde. A afirmação foi publicada em reportagem que trata o caso como se houvesse um novo e grave pedido da PF ao STJ, mas o documento citado não mostra nada disso.

O ofício da Polícia Federal (nº 514/2026/SEAPRO/GAB/PF) não é dirigido ao STJ. Trata-se de uma simples resposta enviada aos deputados estaduais do PSB — Waldemar Borges, Sileno Guedes, Rodrigo Farias, Cayo Albino, Romero Albuquerque e Júnior Matuto — que haviam solicitado informações sobre denúncia de possíveis irregularidades na aplicação de recursos do SUS.

No documento, assinado em 13 de maio de 2026 pelo diretor-geral substituto William Marcel Murad, a PF informa que a demanda foi vinculada ao procedimento interno ePol nº 2025.0127684, já encaminhado à Superintendência Regional em Pernambuco. Em seguida, registra apenas uma regra processual padrão: caso haja eventual envolvimento de autoridade com foro por prerrogativa de função, a instauração de investigação depende de prévia autorização do Superior Tribunal de Justiça.

Ou seja, a PF não afirma que pediu autorização ao STJ, não diz que pretende investigar Priscila Krause e nem sequer cita o nome da vice-governadora no ofício. A associação direta foi construída pela própria reportagem.

Essa é, na verdade, a quarta tentativa da bancada do PSB na Alepe desde 2023 de consolidar a narrativa contra a contratação da Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, hospital da família do marido de Priscila Krause, em Garanhuns. A unidade presta serviços ao SUS desde 1971 — há 55 anos —, e o maior faturamento ocorreu justamente na gestão anterior, do ex-governador Paulo Câmara (PSB). Auditoria do Denasus e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) já analisaram o caso: o TCE negou cautelar pedida pelo presidente da Alepe, Álvaro Porto, por ausência de indícios de irregularidade ou nepotismo, e a auditoria especial concluída também não identificou prejuízo ao erário.

A resposta da PF aos deputados do PSB, portanto, apenas esclarece o óbvio: não existe inquérito instaurado e qualquer eventual investigação futura contra autoridade com foro dependeria de autorização judicial. Não há pedido novo, não há operação anunciada e não há fato político novo. Apenas mais uma articulação que não prosperou.

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