Recife registra o pior ano no turismo de cruzeiros em uma década
Foto: Reprodução/Porto do Recife
A temporada de cruzeiros 2025/2026 no Porto do Recife terminou na última quinta-feira (9 de abril) com o atracamento do Seabourn Venture. O balanço oficial mostra que cerca de 20 mil turistas passaram pelo terminal ao longo de 17 escalas.
É o pior desempenho da capital pernambucana em uma década. Considerando todas as temporadas normais, sem as duas zeradas pela pandemia, o número fica abaixo de todas as temporadas pós-2022 e também da maioria das pré-pandemia.
A expectativa inicial do próprio Porto do Recife era de 26 a 28 mil passageiros. A realidade entregou 23% a menos que a temporada anterior (2024/2025). Ou seja, queda consecutiva e perda de fôlego evidente.
Comparação com Salvador
Recife registra 20 mil turistas na temporada. Salvador sozinha deve fechar o período com quase 200 mil visitantes (62 embarcações). A Bahia como um todo passa dos 260 mil cruzeiristas.
Isso significa que Recife representou menos de 10% da movimentação de Salvador. Um abismo que se repete ano após ano. A capital baiana não só recebe mais navios como converte cada escala em consumo real. O gasto médio por cruzeirista na Bahia fica na casa dos R$ 550 a R$ 800, segundo dados da Setur-BA e CLIA. Em Recife, o turista de navio continua gastando pouco (média histórica abaixo de R$ 100 no centro).
Segundo cálculo do bastidor.pe com base em dados oficiais da COOPE, CLIA e FGV, Recife deixou de movimentar R$ 173,7 milhões na economia local por não acompanhar o ritmo de crescimento do turismo de cruzeiros no Nordeste.
O colapso estrutural
Pesquisas da Empetur com navios de luxo registraram índices de satisfação críticos. Apesar do programa Recentro, lançado para revitalizar o centro histórico e transformar o Recife Antigo em vitrine turística, o que os cruzeiristas encontram são ruas sujas, prédios abandonados, mendicância visível e sensação de insegurança.
Enquanto Salvador e Maceió investiram pesado em limpeza, sinalização e experiência urbana, Recife falhou em converter a chegada dos navios em receita e em memória positiva, repetindo ano após ano o mesmo ciclo de insatisfação.
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