Indecisão bate recorde de 19,5% na média das pesquisas de novembro
João Campos, Raquel Lyra e Eduardo Moura - Divulgação
A nova atualização do Radar de Pesquisas do bastidor.pe revela uma mudança importante no comportamento do eleitorado pernambucano. A média consolidada de novembro indica queda simultânea de João Campos e Raquel Lyra, ao mesmo tempo em que a indecisão atinge o maior patamar desde dezembro de 2024. O movimento aparece nas duas pesquisas estaduais divulgadas na última semana do mês e contrasta com o cenário mais estabilizado registrado por institutos como o Datafolha no fim de outubro.
A leitura desse processo começa pela comparação entre os dois períodos. No Datafolha divulgado entre 21 e 23 de outubro, João Campos e Raquel Lyra apareciam empatados com 23% na espontânea, enquanto 36% dos entrevistados não conseguiam indicar nenhum nome. O levantamento mostrava um eleitorado com alto reconhecimento dos dois principais atores e um nível de indefinição elevado, porém dentro da curva histórica do ano. No voto estimulado, João mantinha vantagem expressiva e chegava a 52%, com Raquel em 30%, resultado que reforçava a percepção de continuidade das tendências observadas até aquele momento.
A fotografia muda quando as coletas de novembro entram na série. As pesquisas Alfa Inteligência, contratada pela CNN Brasil, e Instituto Múltipla, de Arcoverde, foram realizadas praticamente na mesma janela, entre os dias 17 e 22. Ambos os institutos aplicaram amostras de 1.200 entrevistas, trabalharam com margem de erro de 2,8 pontos percentuais e abrangeram todas as regiões do estado. A simetria entre as metodologias ajuda a explicar a concordância entre os resultados. Na Alfa, João registrou 50% e Raquel ficou com 24%. No Múltipla, João marcou 47% e Raquel chegou a 27%. São números diferentes, mas que contam a mesma história. Os dois principais candidatos recuam quando comparados ao mês anterior.
O ponto mais forte das duas pesquisas aparece na espontânea. No levantamento da Alfa, João cai para 18% e Raquel aparece com 16%. O dado mais surpreendente está no restante da amostra. O grupo de entrevistados que não consegue indicar nenhum nome sobe para 57%. É o maior valor espontâneo já registrado por qualquer instituto dentro da série. No Múltipla, o comportamento se repete em outra escala. A soma entre indecisos, brancos, nulos e os que preferiram não opinar ultrapassa 20%. Os dois levantamentos sinalizam uma mudança de humor que não está focalizada em um nome específico, mas espalhada por todo o eleitorado.
A consolidação mensal do Radar reforça essa interpretação. A média de João em novembro desce para 48,5%, abaixo dos 50,8% observados em outubro. Raquel cai para 25,5%, distante dos 30,4% que havia registrado no mês anterior. As quedas ocorrem ao mesmo tempo em que o conjunto de brancos e nulos e os eleitores que não sabem em quem votar salta para 19,5%. Em abril, esse percentual era de 14%. Em novembro, se aproxima dos 20% e estabelece um recorde na série iniciada em dezembro de 2024. No mesmo intervalo, Eduardo Moura apresenta movimento oposto. A média do candidato do Novo sobe de pouco mais de 3% em outubro para cerca de 4,5% em novembro. É um avanço discreto, mas consistente, que o mantém em trajetória de crescimento na margem ocupada por ele desde o segundo semestre.
Evolução das médias e detalhe por instituto em outubro e novembro
Queda de João e Raquel, avanço de Eduardo e trajetória dos indecisos ao longo da série
As duas pesquisas também mantêm coerência regional. João continua mais forte na Região Metropolitana e no Recife. Raquel permanece competitiva no Sertão e em municípios médios do interior. Esses padrões não se alteraram entre outubro e novembro. O que muda não é a geografia do voto, mas a disposição do eleitor em reafirmar suas preferências. É essa camada de hesitação que se expande e empurra para baixo os percentuais dos dois nomes mais lembrados do estado.
O Radar de Pesquisas do bastidor.pe consolida apenas os números divulgados pela imprensa e respeita as metodologias de cada instituto. Apesar disso, o painel permite observar transições que nem sempre aparecem claramente em levantamentos isolados. Novembro marca uma dessas transições. O ciclo de estabilidade que vinha desde o meio do ano se desfaz. A disputa continua com João à frente e Raquel em segundo lugar, mas a moldura em torno desses números se tornou menos previsível. A ampliação da dúvida sugere que o eleitor escolheu recuar um passo antes de seguir adiante.
Os próximos levantamentos dirão se a oscilação registrada entre 17 e 22 de novembro foi um fenômeno circunstancial ou o início de um período mais prolongado de distanciamento entre o eleitor e a disputa estadual. Por enquanto, o que o Radar mostra é que novembro abriu uma fase diferente daquela registrada em outubro. O cenário permanece aberto e a tendência agora é monitorar se o comportamento de cautela observada nas últimas semanas se mantém, se aprofunda ou se dissipa quando novas pesquisas entrarem na série.
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