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A direita precisa reconhecer a derrota

Rodrigo Ambrosio Por Rodrigo Ambrosio em 26/10/2026, 7h57 · Atualizado às 8h01
O senador Flávio Bolsonaro, de perfil e camisa polo amarela com gola verde, fala ao microfone diante de um fundo verde

Foto: Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro

A diferença de mais de 4,4 milhões de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro é grande demais para ser explicada pela confusão do último dia de votação. As urnas foram encerradas às 17h. A decisão monocrática do ministro Cristiano Zanin, do STF, de estender o horário gerou insegurança jurídica e alimentou o clima de contestação. Esse tipo de intervenção merece crítica e discussão. Mas ela não explica a virada histórica nem o volume de votos obtidos pelo petista.

O crescimento de Lula entre o primeiro e o segundo turno veio de uma campanha digital organizada e bem executada. A mobilização via redes, o trabalho de influenciadores e a estrutura montada no WhatsApp produziram um avanço concreto de mais de 10 milhões de votos. Não há fenômeno inexplicável quando se observa o conjunto da disputa. A abstenção caiu, o comparecimento subiu em boa parte do país e Lula melhorou seu desempenho em quase todos os estados. O resultado é consistente com a campanha que foi feita.

Existe insegurança jurídica nas eleições brasileiras. Isso já estava sendo apontado durante a confusão do segundo turno e não pode ser ignorado. Mesmo assim, o resultado apurado pelo TSE é legítimo e precisa ser reconhecido. Insistir em pedido de anulação com base em irregularidades pontuais, diante de uma margem tão expressiva de votos, enfraquece o argumento e desgasta o capital político que o campo bolsonarista construiu.

Esse capital é real. Só o PL sai das urnas com 121 deputados federais, a maior bancada individual da Câmara desde a redemocratização, e cerca de 28 senadores, a maior bancada do Senado. O número de parlamentares de direita, no total, Chega a ocupar mais da metade das cadeiras do Congresso e essa é uma força parlamentar nunca vista

Essa composição vai exigir do próximo governo Lula uma articulação permanente e vai limitar sua capacidade de avançar pautas. O tema merece análise própria. Mas partir para o questionamento do resultado presidencial, quando a distância foi tão grande e o Congresso já está dominado, não parece a decisão mais inteligente para a direita neste momento.

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