O dólar disparou 12,52% na manhã desta segunda-feira (26), primeiro dia útil após a reeleição de Lula (PT). Às 9h30, a moeda americana era negociada a R$ 5,605. Na sexta-feira (23), antes do segundo turno, tinha fechado em R$ 4,993, com o mercado apostando na vitória de Flávio Bolsonaro (PL).

O choque começou no exterior ainda na madrugada. Nos Estados Unidos, o fundo que replica ações brasileiras chegou a cair perto de 20%, e os papéis da Petrobras recuavam 16%. Em Chicago, o contrato futuro do real caía perto de 10%, e instrumentos ligados a ações brasileiras na Ásia recuavam até 14%.

Analistas do Goldman Sachs avaliam que, depois do solavanco, o rumo dos ativos vai depender das primeiras decisões de Lula, sobretudo da escolha da equipe econômica. O banco considera improváveis grandes reformas estruturais no quarto mandato e prevê medidas mais modestas de contenção de gastos, com aumento da carga tributária.

A pressão fiscal já tem número. Segundo o Ministério do Planejamento, o governo terá de remanejar cerca de R$ 20 bilhões do Orçamento de 2027 para bancar medidas anunciadas nas últimas semanas. Só o reajuste do Bolsa Família custa R$ 22,7 bilhões, e a nova edição do Desenrola, R$ 5 bilhões. O fim das bets ainda tira R$ 5,3 bilhões da arrecadação.

Na reta final da campanha, Lula também prometeu estender o Pé-de-Meia a universitários, criar o Pix MEI, com transferências de até R$ 5 mil a microempreendedores, e enviou ao Congresso uma PEC de transporte público gratuito aos fins de semana, que consumiria R$ 12 bilhões de emendas parlamentares em 2027.

A equipe econômica sustenta que a meta de superávit de 0,5% do PIB no próximo ano, cerca de R$ 73,2 bilhões, está mantida.