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Fraude na cota de gênero pode derrubar quatro deputados em Pernambuco

Redação Por Redação em 12/10/2026, 18h50
Os quatro deputados federais eleitos por Pernambuco

Foto: Reprodução

Um caso suspeito de candidatura fictícia (conhecida como “candidatura laranja”) em Pernambuco ameaça o mandato de quatro deputados eleitos. A situação envolve a prestação de contas de Cabo Nayllis (PP), candidata a deputada federal nas eleições de 2026, que recebeu verbas vultosas do fundo eleitoral, mas obteve uma votação extremamente baixa.

Segundo os dados de prestação de contas, a candidata recebeu R$ 822 mil de financiamento eleitoral (Fundão), oriundos exclusivamente da Direção Nacional do PP, por meio de quatro transferências via Pix. Contudo, ao fim do pleito, conquistou apenas 217 votos.

Essa desproporção resultou em um custo de R$ 3.788,02 por cada voto conquistado, colocando-a no topo do ranking de custo por voto no estado em 2026.

Ficha da candidata: R$ 822 mil do FEFC e 217 votos nominais, custo de R$ 3.788,02 por voto.
Ficha da candidata: R$ 822 mil do FEFC e 217 votos nominais, custo de R$ 3.788,02 por voto.

Além disso, não há indícios de divulgação de material de campanha na rede social informada pela própria candidata ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em sua postagem de agradecimento pós-eleição, ela sequer menciona a campanha, referindo-se à disputa eleitoral de forma enigmática apenas como um “convite” e uma “experiência”. Os poucos comentários de apoio sugerem que seus 217 votos vieram apenas de amigos, familiares e colegas, de forma orgânica.

As suspeitas de desvio de dinheiro público e fraude se aprofundam com a análise das despesas. Mais de R$ 360 mil foram gastos apenas com publicidade por materiais impressos e adesivos. O indício mais alarmante recai sobre a segunda maior fornecedora da campanha, a empresa individual Greyce Kelly de Carvalho Silva, que recebeu R$ 145.300,00.

Despesas declaradas, com valores contratados para impressos e adesivos.
Despesas declaradas, com valores contratados para impressos e adesivos.
Maiores fornecedores da campanha: Greyce Kelly de Carvalho Silva aparece com R$ 145.300,00.
Maiores fornecedores da campanha: Greyce Kelly de Carvalho Silva aparece com R$ 145.300,00.

Consultas aos registros oficiais mostram que o endereço cadastrado da microempresa, que se apresenta como uma gráfica, não corresponde à sua localização real no local indicado. Além disso, a empresa possui contatos telefônicos claramente inventados, como (81) 01010101 e (81) 02020202, gerando suspeitas de tratar-se de uma “empresa fantasma”, utilizada para escoar os recursos.

Cadastro da empresa exibe os telefones (81) 0101-0101 e (81) 0202-0202.
Cadastro da empresa exibe os telefones (81) 0101-0101 e (81) 0202-0202.

Caso o Ministério Público Eleitoral avance com a investigação e comprove que se tratou de uma manobra para burlar a cota feminina de gênero, a punição legal implicará a cassação de toda a chapa federal.

Nesse cenário de cassação, seriam anulados 865.473 votos da federação, o que faria o quociente eleitoral cair de 210.580 para 175.961.

Como consequência direta, quatro parlamentares eleitos perderiam os seus mandatos: Juliana de Chaparral (União Brasil), Fernando Filho (União Brasil), Lula da Fonte (PP) e Clarissa Tércio (PP).

As vagas seriam assumidas por novos entrantes: Lucas Ramos (PSB), Sargento Almeida (PSD), Renildo Calheiros (PCdoB) e Coronel Meira (PL), alterando drasticamente a representação política de Pernambuco.

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