Com a saída de João Campos da prefeitura e sua derrota na disputa pelo governo, o Recife entrou num cenário incomum. A cidade tem um prefeito que ainda precisa se apresentar à população. Victor Marques é uma tela em branco. Nesse jogo político, esse espaço costuma ser preenchido rapidamente, inclusive pelos adversários.
A sensação de uma capital sem prefeito traduz esse vazio de reconhecimento. Victor ocupa o cargo, mas precisa construir presença, identidade e vínculo com os recifenses. O PSB já sabe do desafio e tem uma estrutura de comunicação capaz de acelerar esse processo. Eles já provaram, em 2024, que conseguem construir reconhecimento rápido e em escala. Vão ter que repetir o feito com Victor Marques nos próximos meses. Não é hipótese: é necessidade. Sem esse esforço de massificação, a gestão fica exposta a nomes como o Eduardo Moura, Gilson Machado e Priscila Krause.
A reeleição de Lula também reorganiza o cenário. A relação entre PT e PSB tende a se fortalecer no Recife, favorecendo uma composição para 2028. Victor Marques e Dani Portela aparecem como eventuais pré-candidatos nesse campo. A definição deve ficar para mais adiante, enquanto a situação de Marília Arraes também se desenrola.
Mas Dani, que não é besta nem nada, não vai esperar Victor Marques ter tamanho para poder negociar. A construção dos nomes já começou e Dani Portela acertou ao se posicionar logo após o primeiro turno. Do outro lado, a oposição também não tem escolha. Esse é o momento de maior vulnerabilidade comunicacional que uma gestão do Recife enfrentou em muito tempo. Quem não antecipar nome, narrativa e presença nas redes vai chegar em 2027–2028 enfrentando adversários já consolidados. Victor ainda precisa de exposição da prefeitura para se apresentar e associar seu nome às entregas da gestão.
Para quem pretende disputar o eleitorado recifense, é bom ficar de olho. Quando a máquina de comunicação ganhar ritmo e as alianças avançarem, chegar atrasado vai exigir muito mais esforço.
Para 2028, a avaliação da gestão e a realidade da cidade terão peso. As redes vão ajudar a organizar a percepção sobre tudo isso desde já. Quem antecipar nome, mensagem e presença terá tempo para construir uma relação com o eleitor. Quem deixar para o ano eleitoral vai encontrar os principais espaços ocupados e os adversários consolidados.