Raquel Lyra saiu das eleições de 2026 com capital político ampliado. Conquistou o segundo mandato no primeiro turno, teve o nome citado no debate nacional e consolidou posição de interlocutora do Nordeste. Esse saldo, porém, não se sustenta sozinho. A reeleição de Lula e a possibilidade concreta de João Campos assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação alteram a correlação de forças no estado e exigem recalculo de rota.

João Campos, como presidente nacional do PSB e eventual ministro, não vai poder manter guerra aberta contra a governadora. A pasta é de alta visibilidade, e o PSB precisa preservar relações institucionais para negociar espaços em capitais e no Congresso. O atrito com o PSB deve se mover mais para uma guerra fria do que para ataques diretos. Isso não reduz o desafio. Raquel pode escolher o tom do confronto, mas o adversário chega com mais peso nacional e com a capacidade de influenciar pautas federais que afetam Pernambuco.

A ida de João Campos ao ministério também sinaliza que o governo Lula atribui relevância ao PSB. O partido passa a ter um interlocutor de primeiro escalão para dialogar com o PT sobre espaços em diversas capitais. Em Recife, a prioridade tende a ser do PSB nessa relação. Uma melhor relação entre PT e PSB em Recife é possível e, se ocorrer, reduz o isolamento político da oposição.

A partir de agora Raquel depende exclusivamente da sua aprovação em Pernambuco para manter relevância nacional. Enquanto estiver bem avaliada, preserva capital para articulações de 2030. O problema é que sua oposição já demonstrou capacidade de implodir essa aprovação. Em 2023, uma campanha negativa transformou Raquel na governadora mais rejeitada do país naquele momento. A mesma metodologia pode ser reativada, agora com um João Campos fortalecido nacionalmente e com mais recursos políticos para sustentar uma campanha crítica.

Raquel venceu as eleições estaduais e entrou no debate nacional. Ela assumiu neutralidade e o lado vitorioso tende a ser mais rancoroso. Ampliar ainda mais a aprovação no estado, ao mesmo tempo em que enfrenta uma oposição que sabe operar no desgaste, passa a ser condição para que o peso nacional conquistado em 2026 não se dilua.