A Polícia Civil de Pernambuco indiciou nesta sexta-feira (6) o influenciador e deputado estadual eleito Emerson Freitas (MDB) por extorsão, exploração de prestígio e lavagem de capitais. Em coletiva, o delegado Jorge Pinto detalhou que o inquérito aponta cobrança de dinheiro a pessoas ligadas à criminalidade para não divulgar casos no Instagram do criador de conteúdo, que soma cerca de 1 milhão de seguidores.
Segundo a polícia, uma das vítimas pagou R$ 20 mil em espécie, além de mesada, para evitar publicações. Emerson também teria prometido influenciar processos judiciais mediante pagamento. A investigação não encontrou irregularidades nos processos citados, e alguns terminaram em condenação dos réus.
“Ele utilizava uma falsa influência perante membros da magistratura e do Ministério Público como forma de obter novos benefícios. Essa influência nunca existiu”, disse o delegado. Parte dos valores teria sido recebida via Pix na conta de uma servidora do Detran, indiciada por lavagem e ré no processo, em liberdade.
A prisão preventiva de Emerson foi decretada em 29 de outubro. Ele ficou foragido até o TJPE suspender a ordem na terça-feira (3). O deputado eleito segue em liberdade com tornozeleira eletrônica. O inquérito começou a partir de denúncias sobre toque de recolher em comunidades do Recife, quando a polícia passou a ouvir testemunhas sobre a conduta do próprio influenciador.
Emerson Freitas foi eleito deputado estadual pelo MDB em outubro e ainda não tomou posse. A Assembleia Legislativa só empossa a nova legislatura em fevereiro de 2027. Até lá, ele responde aos processos na condição de cidadão comum, sem foro privilegiado de parlamentar em exercício.